quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Administração Cientifica

A Administração Científica – iniciada por engenheiros, tais como Taylor e seus seguidores – é a primeira Teoria Administrativa. A preocupação em criar uma ciência da administração começou com a experiência concreta e imediata do trabalho de operários e com a ênfase nas tarefas.  os engenheiros da Administração Científica também se preocuparam o o capazes de balizar o comportamento dos gerentes e chefes.

Taylor
Frederick Winslow Taylor (1856-1915), o fundador da Administração Científica, nasceu na Filadélfia, nos Estados Unidos. Foi educado com forte mentalidade de disciplina, devoção ao trabalho e poupança. Iniciou sua carreira como operário na Midvale Steel Co., passando a capataz, contramestre até chegar a engenheiro, quando se formou pelo Stevens Institute. Na época, vigorava o sistema de pagamento por peça ou tarefa. Os patrões procuravam ganhar o máximo na hora de fixar o preço da tarefa, enquanto os operários reduziam o ritmo de produção para contrabalançar o pagamento por peça determinado pelos patrões. Isso levou Taylor a estudar o problema de produção para tentar uma solução que atendesse tanto aos patrões como aos empregados.

Taylor é mais lembrado pelo seu trabalho de tempos e movimentos que foi publicado no livro  Shop Management (1903) e versa sobre técnicas de racionalização do trabalho do operário. Taylor em seu livro The Principles of Scientific Management (1911),  demonstrou que a racionalização do trabalho operário deveria ser acompanhada de uma estruturação geral para tornar coerente a aplicação dos seus princípios na empresa como um todo. Em suma, para Taylor, a organização e a administração devem ser estudadas e tratadas cientificamente, e não empiricamente

Taylor preocupava-se com a eficiência e as condições de trabalho que mais o preocuparam  foram:
1. Adequação de instrumentos e ferramentas de trabalho e de equipamentos de produção para minimizar o esforço do operador e a perda de tempo na execução da tarefa. 
2. Arranjo físico das máquinas e dos equipamentos para racionalizar o fluxo da produção. 
3. Melhoria do ambiente físico de trabalho de maneira que o ruído, a ventilação, a iluminação e o conforto no trabalho não reduzam a eficiência do trabalhador. 
4. Projeto de instrumentos e equipamentos especiais, como transportadores, seguidores, contadores e utensílios para reduzir movimentos inúteis.


Princípios da Administração Científica de Taylor
Para Taylor, a gerência deve seguir quatro princípios:
1. Princípio de planejamento: substituir, no trabalho, o critério individual do operário, a improvisação e a atuação empírico-prática por métodos baseados em procedimentos científicos; substituir a improvisação pela ciência por meio do planejamento do método de trabalho.
2. Princípio de preparo: selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com suas aptidões e prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor, de acordo com o método planejado; preparar máquinas e equipamentos em um arranjo físico e disposição racional.
3. Princípio do controle: controlar o trabalho para se certificar de que está sendo executado de acordo com os métodos estabelecidos e segundo o plano previsto. A gerência deve cooperar com os trabalhadores para que a execução seja a melhor possível.
4. Princípio da execução: distribuir atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho seja disciplinada.

Seguidores de Taylor

Princípios de Emerson
O engenheiro Harrington Emerson (1853-1931) popularizou a Administração Científica e desenvolveu os primeiros trabalhos sobre seleção e treinamento de empregados. Seus princípios de rendimento são:
1. Traçar um plano bem definido, de acordo com os objetivos. 
2. Estabelecer o predomínio do bom senso. 
3. Oferecer orientação e supervisão competentes. 
4. Manter a disciplina. 
5. Impor honestidade nos acordos, ou seja, justiça social no trabalho. 
6. Manter registros precisos, imediatos e adequados. 
7. Oferecer remuneração proporcional ao trabalho. 
8. Fixar normas padronizadas para as condições de trabalho. 
9. Fixar normas padronizadas para o trabalho em si. 
10. Fixar normas padronizadas para as operações. 
11. Estabelecer instruções precisas. 
12. Oferecer incentivos ao pessoal para aumentar o rendimento e a eficiência

Princípios de Ford
Provavelmente o mais conhecido de todos os precursores da Administração Científica, Henry Ford (18631947) iniciou sua vida como mecânico. Projetou um modelo de carro e em 1899 fundou sua primeira fábrica de automóveis, que logo depois foi fechada. Sem desanimar, fundou, em 1903, a Ford Motor Co. Sua ideia era popularizar um produto antes artesanal e destinado a milionários, ou seja, vender carros a preços populares, com assistência técnica garantida, revolucionando a estratégia comercial da época. 
Entre 1905 e 1910, Ford promoveu a grande inovação do século XX: a produção em massa. Embora não tenha inventado o automóvel, nem mesmo a linha de montagem, Ford inovou na organização do trabalho – a produção de maior número de produtos acabados com a maior garantia de qualidade e pelo menor custo possível. Essa inovação teve maior impacto sobre a maneira de viver do homem do que muitas das maiores invenções do passado da humanidade. 
Em 1913, já fabricava 800 carros por dia. Em 1914, repartiu com seus empregados uma parte do controle acionário da empresa. Estabeleceu o salário mínimo de 5 dólares por dia e jornada diária de 8 horas, quando, na época, a jornada variava entre 10 e 12 horas. Em 1926, já tinha 88 fábricas e empregava 150 mil pessoas, fabricando 2 milhões de carros por ano.

A condição-chave da produção em massa é a simplicidade. Três aspectos suportam o sistema:
1. A progressão do produto pelo processo produtivo é planejada, ordenada e contínua. 
2. O trabalho é entregue ao trabalhador em vez de deixá-lo com a iniciativa de ir buscá-lo. 
3. As operações são analisadas em seus elementos constituintes

Para obter um esquema caracterizado pela aceleração da produção por meio de um trabalho ritmado, coordenado e econômico, Ford adotou três princípios básicos:
1. Princípio de intensificação: diminuir o tempo de duração com a utilização imediata dos equipamentos e das matérias-primas e a rápida colocação do produto no mercado. 
2. Princípio de economicidade: reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação, fazendo com que o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento dos salários e da matéria-prima adquirida. A velocidade de produção deve ser rápida: “o minério sai da mina no sábado e é entregue ao consumidor sob a forma de carro na terça-feira à tarde”. 
3. Princípio de produtividade: aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais, e o empresário tem maior produção.

O princípio da exceção de Ford 
Princípio segundo o qual as decisões mais frequentes devem ser transformadas em rotina e delegadas aos subordinados, deixando os problemas mais sérios e importantes para os superiores (veja o post sobre Moisés). O princípio da exceção é um sistema de informação que acusa os resultados concretos que divergem ou se distanciam dos resultados previstos. Baseia-se em relatórios condensados e resumidos que mostram apenas os desvios ou afastamentos, omitindo as ocorrências normais, tornando-os comparativos e de fácil utilização e visualização. Essa foi a forma pela qual Taylor concebeu a delegação, que se tornaria depois um princípio de organização amplamente aceito.


Criticas
Contudo, inúmeras críticas são feitas à Administração Científica: 
  1. o mecanicismo de sua abordagem, que lhe garante o nome de teoria da máquina; a superespecialização que robotiza o operário; 
  2. a visão microscópica do homem tomado isoladamente e como um apêndice da maquinaria industrial;
  3. a ausência de qualquer comprovação científica de suas afirmações e princípios; 
  4. a abordagem incompleta envolvendo apenas a organização formal; 
  5. a limitação do campo de aplicação à fábrica, omitindo o restante da vida de uma empresa; 
  6. a abordagem prescritiva, normativa e típica de sistema fechado. 

No entanto, essas limitações e restrições não apagam o fato de que a Administração Científica foi o primeiro passo na busca de uma Teoria Administrativa.


Terminei a graduação em administração no século passado. Então, abandonei os estudos das teorias de administração e fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado em economia. Como a vida da muita voltas, no ano passado tive que relembrar as noções de contabilidade para escrever uma diretriz sobre mensuração de custos em saúde. Este ano tive que relembrar administração financeira para as aulas de engenharia econômica, mas não foi muito penoso porque há uma década faço avaliações econômicas. Agora, chegou a vez de  relembrar as principais teorias da administração. Taylor e Fayol, para mim, ficaram no século passado, esquecidos num canto qualquer do meu cérebro.  Considerando que alguns trabalhos científicos demonstraram que o cérebro reage à novidades liberando endorfina, um fixador de memórias, nas próximas semanas farei alguma atividade nova para fixar os meus aprendizados. 


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