terça-feira, 20 de novembro de 2018

Abordagem Estruturalista da Administração

em construção

A abordagem estruturalista da administração tem como referência os trabalhos de Max Weber, que  estudou as organizações sob um ponto de vista estruturalista, preocupando-se com sua racionalidade, isto é, com a relação entre os meios e recursos utilizados e os objetivos a serem alcançados pelas organizações burocráticas. A abordagem estruturalista é um movimento que provocou o surgimento da sociologia das organizações e que iria criticar e reorientar os caminhos da teoria administrativa.

Essa abordagem é formada por duas principais teorias: teoria da Burocracia e Teoria Estruturalista.


Teoria da Burocracia
A organização por excelência, para Weber, é a burocracia. A Teoria da Burocracia desenvolveu-se na administração por volta da década de 1940. A burocracia foi uma invenção social aperfeiçoada no decorrer da Revolução Industrial, embora tenha suas raízes na Antiguidade histórica, com a finalidade de organizar detalhadamente e de dirigir rigidamente as atividades das empresas com a maior eficiência possível. Rapidamente, a forma burocrática de Administração alastrou-se por todos os tipos de organizações humanas, como indústrias, empresas de prestação de serviços, repartições públicas e órgãos governamentais, organizações educacionais, militares, religiosas, filantrópicas etc., em uma crescente burocratização da sociedade.



O aperfeiçoamento da burocracia coincidiu com o despontar do capitalismo, graças a inúmeros fatores, dentre os quais a economia do tipo monetário, o mercado de mão-de-obra, o aparecimento do estado-nação centralizado e a divulgação da ética protestante (que enfatizava o trabalho como um dom de Deus e a poupança como forma de evitar a vaidade e a ostentação (filosofia da avareza) - exemplo livro : A Ética Protestante e Espirito do Capitalismo ) 

No início do século XX, Max Weber, um sociólogo alemão, publicou o primeiro estudo importante sobre as organizações formais, a maneira mais racional de atingir fins propostos por meio da cooperação está no “tipo ideal” de organização chamado burocracia.  Enquanto, para o leigo, burocracia significa uma grande organização, lenta e de difícil gestão, para o autor trata-se de um “modelo ideal”: racional, com meios adequados aos fins, no sentido de precisão, continuidade e confiabilidade. 

Weber estava preocupado com as grandes organizações alemãs, que, em sua visão, não conseguiriam evoluir com base em padrões tradicionais e personalistas de liderança. Entender porque as pessoas obedecem à autoridade é problema central na obra de Weber. Para o autor, a organização burocrática é planejada de cima para baixo: superiores, com maior autoridade, prescrevem o que os subordinados devem fazer. Para Weber, o grande instrumento de superioridade da administração burocrática é o saber profissional especializado.

Weber analisou seriamente a obra de Marx e foi influenciado em suas concepções pelo funcionamento do exército prussiano. Tinha uma escrita densa e precisa. Parte de sua obra, referente à burocracia, foi publicada após sua morte e só teve impacto após tradução para o inglês,quando os sociólogos americanos Merton (1940), Selzenik (1948) e Gouldner (1954) passaram a criticar, a partir da década de 1940, “burocracias reais” e seus impactos não funcionais sobre o comportamento das pessoas.


Weber: poder, dominação, autoridade
Para Weber (1969), poder significa a possibilidade de impor a própria vontade sobre a conduta alheia, qualquer que seja o fundamento dessa possibilidade. Em outras palavras, o poder significa um potencial para o exercício da dominação.

Dominação, para Weber, representa um estado de coisas pelo qual uma vontade manifesta (poder manifestado) por meio de uma ordem dada pelo dominador (ou dominadores) influi sobre os atos de outros (do dominado ou dominados), de tal sorte que, em um grau socialmente relevante, esses atos têm lugar como se o(s) dominado(s) tivesse(m) adotado o conteúdo da ordem.

A concordância voluntária pode ser baseada, de acordo com Weber, em três tipos de autoridade: carismática, tradicional (no nível de obediência a pessoas) e racional legal ou burocrática (no nível de obediência a normas).

Weber salienta também a existência de chefes não burocráticos, que indicam e nomeiam os subordinados, estabelecem regras, resolvem os objetivos que devem ser atingidos e são eleitos ou herdam sua posição, como presidentes, diretores e reis. Esses chefes (não burocráticos) da organização desempenham o papel de estimular a ligação emocional, e mesmo irracional, dos participantes com a racionalidade, pois a identificação com uma pessoa ou líder da organização influi psicologicamente, reforçando o compromisso abstrato com as regras da organização. 

Características da burocracia
As duas características mais marcantes da burocracia são a formalidade (expressa por normas escritas e completas) e a impessoalidade (relacionamento baseado em normas e direitos, e não na individualidade). As burocracias também seguem os princípios da escola clássica de centralização e hierarquia, bem como da especialização e divisão do trabalho.

Segundo Max Weber, a burocracia tem as seguintes características:
1.Caráter legal das normas e regulamentos.
2. Caráter formal das comunicações.
3. Caráter racional e divisão do trabalho.
4. Impessoalidade nas relações.
5. Hierarquia de autoridade.
6. Rotinas e procedimentos padronizados.
7.Competência técnica e meritocracia.
8.Especialização da administração.
9.Profissionalização dos participantes.
10.Completa previsibilidade do funcionamento

Criticas à burocracia
Thompson, no livro Moderna Organização, de 1967, analisou as “doenças” da burocracia:“burose” e “buropatologia”, caracterizadas pela aversão ou apego excessivo às normas. Os afetados pelo primeiro mal são denominados buróticos: odeiam seguir regulamentos. Os buropatas, contaminados pela buropatologia, adoram os regulamentos, querem segui-los em todos os detalhes, mesmo quando não funcionam.

Para Merton, não existe uma organização totalmente racional e o formalismo não tem a profundidade
descrita por Weber

Katz e Kahn salientam que a organização burocrática é super-racionalizada e não considera a natureza organizacional nem as condições circunjacentes do ambiente.

Embora a burocracia tenha representado uma resposta adequada às condições do século XIX, ela está sendo levada ao desaparecimento por novas e diferentes condições do mundo industrializado moderno.  
Kast e Rosenzweig salientam que o caminho moderno consiste em utilizar o modelo burocrático de
Weber como ponto de partida, mas reconhecendo suas limitações e consequências disfuncionais. O ponto de vista que prevalece indica que:
  • A forma burocrática é mais apropriada para atividades rotineiras e repetitivas da organização, em que eficiência e produtividade constituem o objetivo mais importante.
  • A forma burocrática não é adequada às organizações flexíveis que se veem à frente de atividades não rotineiras, em que a criatividade e a inovação são mais importantes.


Teoria Estruturalista
O movimento estruturalista surgiu na década de 1960,  foi predominantemente europeu e teve um caráter mais filosófico na tentativa de obter a interdisciplinaridade das ciências. Ele vem do conceito de estrutura (do grego struo = ordenar) como uma composição de elementos visualizados em relação à totalidade da qual fazem parte. As partes são reunidas em um arranjo estruturado e tornam-se subordinadas ao todo (estrutura). Qualquer modificação em uma das partes implica modificações nas demais partes e nas relações entre elas. O conceito de estrutura, em essência, equivale ao conceito de sistemas.

Claude Lévi-Strauss seu mais celebrado representante da escola estruturalista, especialmente em seus estudos sobre os indígenas no Brasil e na América em geral, quando se dedicou à ‘busca de harmonias insuspeitas. 

A Teoria Estruturalista estimulou o estudo de organizações não industriais e de organizações não lucrativas, como escolas, universidades, hospitais, sindicatos, penitenciárias, etc. O estruturalismo trata sobretudo das organizações complexas e do estudo e da análise das organizações formais.

O estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais – iniciado pela Teoria das Relações Humanas – para o das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como os grupos sociais interagem entre si, as organizações também interagem entre si.

Enquanto a Teoria Clássica caracteriza o homo economicus e a Teoria das Relações Humanas, “o homem social”, a Teoria Estruturalista focaliza o “homem organizacional”: o homem que desempenha diferentes papéis em várias organizações.

Análise das organizações do ponto de vista estruturalista é feita com base em uma abordagem múltipla que leva em conta simultaneamente os fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das Relações Humanas e da Teoria da Burocracia.

Os estruturalistas inauguraram a preocupação com a análise interorganizacional. A análise do comportamento interorganizacional se tornou significativa a partir da crescente complexidade ambiental e da interdependência das organizações. Os estruturalistas também desenvolvem conceitos sobre estratégia organizacional, tendo em vista a ênfase no ambiente e na interdependência entre organização e ambiente.

O relacionamento entre a organização e seu ambiente revela o grau de dependência da organização quanto aos eventos externos. Recentemente, o campo da teoria organizacional foi ampliado com pesquisas sobre relações interorganizacionais (p. ex: análise de redes).

O ponto de partida para o estudo das relações interorganizacionais é o conceito de conjunto de papéis
desenvolvido por Merton para analisar as relações de papel. Conjunto de papéis é o complexo de papéis e relações de papéis que o ocupante de um dado status tem em virtude de ocupar esse status.

Fundamentos da Escola Estruturalista:
a) O homem organizacional
b) Os conflitos inevitáveis: Para os estruturalistas, o conflito entre grupos é um processo social fundamental. É o grande elemento propulsor do desenvolvimento, embora isso nem sempre ocorra.
c) Os incentivos mistos: Os estruturalistas consideram importantes tanto os incentivos e recompensas psicossociais quanto os materiais, bem como as influências mútuas.


A tabela abaixo apresenta algumas diferenças entre as teorias da burocracia e estruturalista.



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