terça-feira, 20 de novembro de 2018

Análise de situação econômica e financeira corporativa

Uma das etapas mais importantes na administração de uma empresa é a análise de sua situação econômica e financeira.
É necessário, portanto, um correto levantamento dos custos e das receitas adicionais decorrentes do investimento.
Para um perfeito entendimento dos quadros que serão apresentados e, para que a classificação dos itens seja adequada, deve-se conhecer a terminologia usual da área de contabilidade e de custos:

1.1 Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado de Exercício:

a) Balanço Patrimonial:
O balanço patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade.
A legislação societária, Lei nº 6.404/76, exige que as Sociedades Anônimas (S.A.) elaborem, e, em alguns casos, publiquem os seguintes demonstrativos contábeis: 

  • Balanço Patrimonial (BP); 
  • Demonstração do Resultado do Exercício (DRE); 
  • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL); 
  • Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR)/Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC).
No entanto, nunca é demais lembrar que é necessário estar sempre atento às alterações na legislação pertinente. Por exemplo, a Lei nº 11.638, de 28/12/2007, introduz alterações na Lei nº 6.404/76, substituindo a DOAR pela Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC).

O Quadro a seguir mostra a estrutura básica da demonstração contábil mais importante: o Balanço Patrimonial.

Quadro I – Balanço Patrimonial



ATENÇÃO
Quanto aos princípios contábeis, uma questão de particular interesse diz respeito ao momento do reconhecimento das receitas e despesas. Existem duas possibilidades: o regime de competência e o regime de caixa. No primeiro caso, receitas e despesas são consideradas simultaneamente no período em que ocorre o fato gerador, não importando se houve recebimentos ou desembolsos. No segundo caso, importa quando ocorrem as entradas de caixa (recebimentos) e as saídas de caixa (desembolsos).
Certifique-se de não confundir gasto com desembolso. Por exemplo, quando a empresa se compromete a comprar um equipamento ocorre um gasto. Se a compra foi à vista, então o desembolso (saída de caixa) ocorreu no mesmo momento do gasto. Caso o pagamento seja a prazo, o desembolso só ocorrerá posteriormente.
b) Demonstrativo de Resultado de Exercício:
O artigo 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), instituiu a Demonstração do Resultado do Exercício.
A Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo principal apresentar de forma vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado período, normalmente, de doze meses.
No próximo quadro podemos observar a constituição de um demonstrativo de resultado de exercício, ou seja, os itens, receitas, descontos, impostos, que constituem o lucro líquido ou o resultado alcançado no final do exercício:
N.
Ítem
Valor
1

1.1
Vendas de Produtos

1.2
Vendas de Mercadorias

1.3
Prestação de Serviços

2
(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA

2.1
Devoluções de Vendas

2.2
Abatimentos

2.3
Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas

3
(=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA

4
(-) CUSTOS DAS VENDAS

4.1
Custo dos Produtos Vendidos

4.2
Custo das Mercadorias

4.3
Custo dos Serviços Prestados

5
(=) RESULTADO OPERACIONAL BRUTO

6
(-) DESPESAS OPERACIONAIS

6.1
Despesas Com Vendas

6.2
Despesas Administrativas

7
(-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS


Despesas Financeiras

8
(-) Receitas Financeiras


Variações Monetárias e Cambiais Passivas

9
(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas

10
OUTRAS RECEITAS E DESPESAS

10.1
Resultado da Equivalência Patrimonial

10.2
Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

11
(-) Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

12
(=) RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E SOBRE O LUCRO

13
(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro

14
(=)  LUCRO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES

15
(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados

16
(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

 Quadro II – Demonstrativo do Resultado do Exercício
Podemos observar que estas demonstrações contábeis nos auxiliam a identificar a situação de uma empresa. Apresentamos a seguir uma lista não-exaustiva das informações geradas pela Contabilidade:
- O resultado gerado pelo negócio, isto é, se houve lucro ou prejuízo.
- O nível de endividamento da empresa.
- A capacidade de pagamento das dívidas contraídas.
- O caixa da empresa.
- A possibilidade de concessão de mais crédito aos clientes.
- A necessidade de negociação de maiores prazos de pagamento das compras junto aos fornecedores.
- O retorno gerado pelo negócio.
- O valor dos impostos a pagar.
- O custo de produção.
- O valor das vendas necessário para atingir determinada lucratividade.


Posts de fundamentos de administração

1. Funções do administrador
2. Abordagem Clássica da Administração - Administração Cientifica
3. Abordagem Comportamental da Administração - Teoria das Relações humanas
4. Abordagem Estruturalista da Administração
5. Abordagem Sistêmica da Administração
6. Principais teorias administrativas

As funções do Administrador

O estudo das funções do administrador, que também poderia ser chamado de abordagem dos papéis, foi predominantemente desenvolvido pelos autores “clássicos”, notadamente Fayol e seus seguidores, dentre os quais se destacam, inicialmente, Koontz & O’Donnel, Newman, Jucius & Schlender e Dale. Além desses, poderíamos incluir alguns autores que adotaram abordagens semelhantes, como Barnard e Drucker. Nesse grupo também poderia ser incluído Henry Mintzberg (1973), apesar das críticas que faz aos clássicos e da tentativa de diferenciar sua própria abordagem. 

A abordagem clássica das funções do administrador tem relevância e ampla aplicação decorrem da inserção natural na vida e nos fenômenos humanos que ocorrem ao longo do tempo. O planejamento antecede a ação, que, após avaliada, evidencia correções na execução e no próprio planejamento, úteis a um novo ciclo, que se inicia com o replanejamento (PDCA). Pela ótica da aprendizagem, reflexão--ação-reflexão se encadeiam num processo permanente e inexorável. A visão clássica é, ainda hoje, a mais útil para designar o que deve fazer um administrador. 


A VISÃO CLÁSSICA DAS FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR
Em sua abordagem pioneira, Fayol (2007) define que “administrar é prever, organizar, comandar, coordenar e controlar”, assim conceituando essas funções:
• “prever é perscrutar o futuro e traçar o programa de ação;
• organizar uma empresa é dotá-la de tudo que é útil ao seu funcionamento: matérias--primas, utensílios, capitais e pessoal, constituindo um duplo organismo material e social;
• comandar é dirigir o pessoal;
• coordenar é ligar, unir e harmonizar todos os atos e esforços;
• controlar é velar para que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas”.

Kast e Rosenzweig (1970) classificam o processo administrativo em planejamento, organização, obtenção de recursos, motivação e controle. Além disso, consideram a administração um dos cinco subsistemas da organização (sendo os demais: metas e valores, psicológicos, estrutura e psicossocial) e que tem por incumbência principal integrar os demais.

Para Drucker, as tarefas do administrador são:
• Cumprir a finalidade e missão específica das instituições em que trabalha;
• Tornar o trabalho produtivo e o trabalhador realizado;
• Administrar impactos e responsabilidades sociais. Essa classificação também não pode ser considerada melhor que as anteriores, apesar de identificar mais claramente alguns dos propósitos da administração.

OS PAPÉIS DO ADMINISTRADOR SEGUNDO MINTZBERG

Mintzberg, importante autor que procurou contornar as dificuldades e imprecisões ligadas à classificação das atividades do administrador na visão clássica. Mintzberg em seu livro The Nature of Managerial Work (1973:p. 55), mostra sua visão a respeito dos papéis administrativos, identificando 10 papéis administrativos, lembrando que sua classificação é uma dentre as possíveis.

“O delineamento de papéis é essencialmente um processo de categorização, e parte de uma partição arbitrária das atividades administrativas em grupos afins. Em última análise, o resultado deve ser analisado em termos de sua utilidade.”




De acordo com Mintzberg (1973, p.56):
A posição do administrador fornece o ponto de partida para essa análise. O administrador costuma ser definido como pessoa formalmente responsável por uma unidade organizacional. Essa autoridade formal leva a uma situação de status essencial na organização. E da autoridade formal e do status decorrem os três papéis interpessoais. O primeiro e mais simples é o papel de ‘imagem do chefe’. O administrador tem o
dever de representar sua organização em todos os assuntos formais. O status permite ao administrador desempenhar também o papel de ‘contato’, no qual ele interage com pares e com outras pessoas externas à sua organização para obter favores e informações. O terceiro papel interpessoal, o de ‘líder’, define o relacionamento do administrador com seus subordinados – motivando, recrutando, e assim por diante.” 



Funções administrativas

Abordagem Estruturalista da Administração

em construção

A abordagem estruturalista da administração tem como referência os trabalhos de Max Weber, que  estudou as organizações sob um ponto de vista estruturalista, preocupando-se com sua racionalidade, isto é, com a relação entre os meios e recursos utilizados e os objetivos a serem alcançados pelas organizações burocráticas. A abordagem estruturalista é um movimento que provocou o surgimento da sociologia das organizações e que iria criticar e reorientar os caminhos da teoria administrativa.

Essa abordagem é formada por duas principais teorias: teoria da Burocracia e Teoria Estruturalista.


Teoria da Burocracia
A organização por excelência, para Weber, é a burocracia. A Teoria da Burocracia desenvolveu-se na administração por volta da década de 1940. A burocracia foi uma invenção social aperfeiçoada no decorrer da Revolução Industrial, embora tenha suas raízes na Antiguidade histórica, com a finalidade de organizar detalhadamente e de dirigir rigidamente as atividades das empresas com a maior eficiência possível. Rapidamente, a forma burocrática de Administração alastrou-se por todos os tipos de organizações humanas, como indústrias, empresas de prestação de serviços, repartições públicas e órgãos governamentais, organizações educacionais, militares, religiosas, filantrópicas etc., em uma crescente burocratização da sociedade.



O aperfeiçoamento da burocracia coincidiu com o despontar do capitalismo, graças a inúmeros fatores, dentre os quais a economia do tipo monetário, o mercado de mão-de-obra, o aparecimento do estado-nação centralizado e a divulgação da ética protestante (que enfatizava o trabalho como um dom de Deus e a poupança como forma de evitar a vaidade e a ostentação (filosofia da avareza) - exemplo livro : A Ética Protestante e Espirito do Capitalismo ) 

No início do século XX, Max Weber, um sociólogo alemão, publicou o primeiro estudo importante sobre as organizações formais, a maneira mais racional de atingir fins propostos por meio da cooperação está no “tipo ideal” de organização chamado burocracia.  Enquanto, para o leigo, burocracia significa uma grande organização, lenta e de difícil gestão, para o autor trata-se de um “modelo ideal”: racional, com meios adequados aos fins, no sentido de precisão, continuidade e confiabilidade. 

Weber estava preocupado com as grandes organizações alemãs, que, em sua visão, não conseguiriam evoluir com base em padrões tradicionais e personalistas de liderança. Entender porque as pessoas obedecem à autoridade é problema central na obra de Weber. Para o autor, a organização burocrática é planejada de cima para baixo: superiores, com maior autoridade, prescrevem o que os subordinados devem fazer. Para Weber, o grande instrumento de superioridade da administração burocrática é o saber profissional especializado.

Weber analisou seriamente a obra de Marx e foi influenciado em suas concepções pelo funcionamento do exército prussiano. Tinha uma escrita densa e precisa. Parte de sua obra, referente à burocracia, foi publicada após sua morte e só teve impacto após tradução para o inglês,quando os sociólogos americanos Merton (1940), Selzenik (1948) e Gouldner (1954) passaram a criticar, a partir da década de 1940, “burocracias reais” e seus impactos não funcionais sobre o comportamento das pessoas.


Weber: poder, dominação, autoridade
Para Weber (1969), poder significa a possibilidade de impor a própria vontade sobre a conduta alheia, qualquer que seja o fundamento dessa possibilidade. Em outras palavras, o poder significa um potencial para o exercício da dominação.

Dominação, para Weber, representa um estado de coisas pelo qual uma vontade manifesta (poder manifestado) por meio de uma ordem dada pelo dominador (ou dominadores) influi sobre os atos de outros (do dominado ou dominados), de tal sorte que, em um grau socialmente relevante, esses atos têm lugar como se o(s) dominado(s) tivesse(m) adotado o conteúdo da ordem.

A concordância voluntária pode ser baseada, de acordo com Weber, em três tipos de autoridade: carismática, tradicional (no nível de obediência a pessoas) e racional legal ou burocrática (no nível de obediência a normas).

Weber salienta também a existência de chefes não burocráticos, que indicam e nomeiam os subordinados, estabelecem regras, resolvem os objetivos que devem ser atingidos e são eleitos ou herdam sua posição, como presidentes, diretores e reis. Esses chefes (não burocráticos) da organização desempenham o papel de estimular a ligação emocional, e mesmo irracional, dos participantes com a racionalidade, pois a identificação com uma pessoa ou líder da organização influi psicologicamente, reforçando o compromisso abstrato com as regras da organização. 

Características da burocracia
As duas características mais marcantes da burocracia são a formalidade (expressa por normas escritas e completas) e a impessoalidade (relacionamento baseado em normas e direitos, e não na individualidade). As burocracias também seguem os princípios da escola clássica de centralização e hierarquia, bem como da especialização e divisão do trabalho.

Segundo Max Weber, a burocracia tem as seguintes características:
1.Caráter legal das normas e regulamentos.
2. Caráter formal das comunicações.
3. Caráter racional e divisão do trabalho.
4. Impessoalidade nas relações.
5. Hierarquia de autoridade.
6. Rotinas e procedimentos padronizados.
7.Competência técnica e meritocracia.
8.Especialização da administração.
9.Profissionalização dos participantes.
10.Completa previsibilidade do funcionamento

Criticas à burocracia
Thompson, no livro Moderna Organização, de 1967, analisou as “doenças” da burocracia:“burose” e “buropatologia”, caracterizadas pela aversão ou apego excessivo às normas. Os afetados pelo primeiro mal são denominados buróticos: odeiam seguir regulamentos. Os buropatas, contaminados pela buropatologia, adoram os regulamentos, querem segui-los em todos os detalhes, mesmo quando não funcionam.

Para Merton, não existe uma organização totalmente racional e o formalismo não tem a profundidade
descrita por Weber

Katz e Kahn salientam que a organização burocrática é super-racionalizada e não considera a natureza organizacional nem as condições circunjacentes do ambiente.

Embora a burocracia tenha representado uma resposta adequada às condições do século XIX, ela está sendo levada ao desaparecimento por novas e diferentes condições do mundo industrializado moderno.  
Kast e Rosenzweig salientam que o caminho moderno consiste em utilizar o modelo burocrático de
Weber como ponto de partida, mas reconhecendo suas limitações e consequências disfuncionais. O ponto de vista que prevalece indica que:
  • A forma burocrática é mais apropriada para atividades rotineiras e repetitivas da organização, em que eficiência e produtividade constituem o objetivo mais importante.
  • A forma burocrática não é adequada às organizações flexíveis que se veem à frente de atividades não rotineiras, em que a criatividade e a inovação são mais importantes.


Teoria Estruturalista
O movimento estruturalista surgiu na década de 1960,  foi predominantemente europeu e teve um caráter mais filosófico na tentativa de obter a interdisciplinaridade das ciências. Ele vem do conceito de estrutura (do grego struo = ordenar) como uma composição de elementos visualizados em relação à totalidade da qual fazem parte. As partes são reunidas em um arranjo estruturado e tornam-se subordinadas ao todo (estrutura). Qualquer modificação em uma das partes implica modificações nas demais partes e nas relações entre elas. O conceito de estrutura, em essência, equivale ao conceito de sistemas.

Claude Lévi-Strauss seu mais celebrado representante da escola estruturalista, especialmente em seus estudos sobre os indígenas no Brasil e na América em geral, quando se dedicou à ‘busca de harmonias insuspeitas. 

A Teoria Estruturalista estimulou o estudo de organizações não industriais e de organizações não lucrativas, como escolas, universidades, hospitais, sindicatos, penitenciárias, etc. O estruturalismo trata sobretudo das organizações complexas e do estudo e da análise das organizações formais.

O estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais – iniciado pela Teoria das Relações Humanas – para o das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como os grupos sociais interagem entre si, as organizações também interagem entre si.

Enquanto a Teoria Clássica caracteriza o homo economicus e a Teoria das Relações Humanas, “o homem social”, a Teoria Estruturalista focaliza o “homem organizacional”: o homem que desempenha diferentes papéis em várias organizações.

Análise das organizações do ponto de vista estruturalista é feita com base em uma abordagem múltipla que leva em conta simultaneamente os fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das Relações Humanas e da Teoria da Burocracia.

Os estruturalistas inauguraram a preocupação com a análise interorganizacional. A análise do comportamento interorganizacional se tornou significativa a partir da crescente complexidade ambiental e da interdependência das organizações. Os estruturalistas também desenvolvem conceitos sobre estratégia organizacional, tendo em vista a ênfase no ambiente e na interdependência entre organização e ambiente.

O relacionamento entre a organização e seu ambiente revela o grau de dependência da organização quanto aos eventos externos. Recentemente, o campo da teoria organizacional foi ampliado com pesquisas sobre relações interorganizacionais (p. ex: análise de redes).

O ponto de partida para o estudo das relações interorganizacionais é o conceito de conjunto de papéis
desenvolvido por Merton para analisar as relações de papel. Conjunto de papéis é o complexo de papéis e relações de papéis que o ocupante de um dado status tem em virtude de ocupar esse status.

Fundamentos da Escola Estruturalista:
a) O homem organizacional
b) Os conflitos inevitáveis: Para os estruturalistas, o conflito entre grupos é um processo social fundamental. É o grande elemento propulsor do desenvolvimento, embora isso nem sempre ocorra.
c) Os incentivos mistos: Os estruturalistas consideram importantes tanto os incentivos e recompensas psicossociais quanto os materiais, bem como as influências mútuas.


A tabela abaixo apresenta algumas diferenças entre as teorias da burocracia e estruturalista.



domingo, 18 de novembro de 2018

Abordagem sistêmica da Administração

Ref. Chiavenatto (cap. 15, 16, 17)
O enfoque sistêmico completa a linha de raciocínio que começa no enfoque técnico de Taylor e Ford e continua até o enfoque comportamental. O enfoque sistêmico formou-se a partir de linhas de pensamento independentes, algumas delas ligadas à antiga noção de que os fenômenos devem ser analisados com o uso de várias abordagens ao mesmo tempo. 
O enfoque sistêmico focaliza as organizações como conjuntos de partes interdependentes, que estão num processo de troca de energia e informações com o ambiente. Sua primeira preocupação é estudar as influências mútuas que exercem entre si os sistemas técnicos e comportamentais, e também a influência sobre eles exercida pelo meio ambiente.



Para as ciências administrativas, o pensamento sistêmico é muito importante pois as organizações envolvem vários aspectos:
  • Transformações físicas necessárias à fabricação dos produtos e prestação dos serviços;
  • Comunicação entre os agentes e colaboradores para desenvolver, produzir e entregar o produto ou serviço atendendo as expectativas e necessidades do cliente;
  • Envolvimento das pessoas para que elas se empenhem no processo cooperativo;
  • Desenvolvimento de competências, habilidades e conhecimentos, para que as pessoas tenham condições de realizar o trabalho da maneira esperada;
  • Por esses motivos, as organizações podem ser entendidas como sistemas abertos.




O moderno enfoque sistêmico é uma síntese de diferentes linhas de pensamento e tem três escolas principais: 1) cibernética e administração; 2) Teoria Matemática da Administração; 3) Teoria dos Sistemas. 

Cibernética e Administração
A Cibernética foi criada por Norbert Wiener entre os anos de 1943 e 1947, na época em que von Neuman e Morgenstern (1947) criavam a Teoria dos Jogos, Shannon e Weaver (1949) criavam a Teoria Matemática da Informação e von Bertalanffy (1947) definia a Teoria Geral dos Sistemas.

A Cibernética surgiu como uma ciência interdisciplinar para relacionar todas as ciências, preencher os espaços vazios não pesquisados por nenhuma delas e permitir que cada ciência utilizasse os conhecimentos desenvolvidos pelas outras.

A Cibernética começou como uma ciência interdisciplinar de conexão entre as ciências, e como uma ciência diretiva: a kybernytikys das ciências. A ideia era juntar, e não separar. O mundo não se encontra separado por ciências estanques como física, química, biologia, botânica, psicologia, sociologia, etc., com divisões arbitrárias e fronteiras bem definidas.

A palavra “cibernética” vem do grego kybernytiky e  significa originalmente a arte de governar navios, isto é, dirigi-los por meio da comunicação e do controle.

Cibernética é a ciência da comunicação e do controle, seja no animal (homem, seres vivos), seja na máquina. A comunicação torna os sistemas integrados e coerentes, e o controle regula o seu comportamento. A Cibernética compreende os processos e sistemas de transformação da informação e sua concretização em processos físicos, fisiológicos, psicológicos, etc. Para Bertalanffy, “a Cibernética é uma teoria dos sistemas de controle baseada na comunicação (transferência de informação) entre o sistema e o meio e dentro do sistema e do controle (retroação) da função dos sistemas com respeito ao ambiente”.

Os principais conceitos relacionados com sistemas são: entrada, saída, retroação, caixa negra, homeostasia e informação.

  • A entrada de um sistema é tudo o que o sistema importa ou recebe de seu mundo exterior, podendo ser informação, energia e materiais.
  • Saída (output) é o resultado final da operação de um sistema.
  • O conceito de caixa negra refere-se a um sistema cujo interior não pode ser desvendado, cujos elementos internos são desconhecidos e que só podem ser conhecidos “por fora”, por meio de manipulações externas ou de observação externa. Na Cibernética, a caixa negra é uma caixa onde existem entradas (insumos) que conduzem perturbações ao interior da caixa, e de onde emergem saídas (resultados), isto é, outras perturbações resultantes das primeiras
  • A retroação é um mecanismo segundo o qual uma parte da energia de saída de um sistema ou de uma máquina volta à entrada. A retroação serve para comparar a maneira como um sistema funciona em relação ao padrão estabelecido para ele funcionar.

  • A homeostasia é um equilíbrio dinâmico obtido pela autorregulação, ou seja, pelo autocontrole. É a capacidade que o sistema tem de manter certas variáveis dentro de limites, mesmo quando os estímulos do meio externo forçam essas variáveis a assumirem valores que ultrapassam os limites da normalidade.
  • informação é o conhecimento (não qualquer conhecimento) disponível para uso imediato e que permite orientar a ação, ao reduzir a margem de incerteza que cerca as decisões cotidianas

Teoria da Informação
A Teoria da Informação surgiu com as pesquisas de Claude E. Shannon e Warren Weaver para a Bell
Telephone Company, no campo da telegrafia e telefonia, em 1949. Ambos formulam uma Teoria Geral da Informação, desenvolvendo um método para medir e calcular a quantidade de informação, com base em resultados da física estatística. A preocupação de Shannon era uma aferição quantitativa de informações. Sua teoria sobre comunicações diferia das anteriores em dois aspectos: por introduzir noções de estatística e por sua teoria ser macroscópica, e não microscópica, pois visualizava os aspectos amplos e gerais dos dispositivos de comunicações.

O sistema de comunicação tratado pela teoria das informações consiste em seis componentes: fonte,
transmissor, canal, receptor, destino e ruído. Esses componentes são utilizados em um modelo matemático que considera sua interação e sua interdependência, dentro de uma visão macroscópica e probabilística. 

A teoria da informação utiliza o conceito de redundância que tem como o objetivo eliminar o ruído e prevenir distorções e enganos na recepção da mensagem através  da repetição da mensagem para que sua recepção correta seja mais garantida. Outro conceito utilizado é o da entropia, que significa que partes do sistema perdem sua integração e a comunicação entre si, levando o sistema a se decompor, perder energia e informação e degenerar.  A Sinergia (do grego, syn = com e ergos = trabalho) significa literalmente “trabalho conjunto”.  Existe sinergia quando duas ou mais causas, atuando conjuntamente, produzem um efeito maior do que a soma dos efeitos que produziriam atuando individualmente.


Teoria dos Sistemas
O biólogo austríaco Ludwing von Bertalanffy (1901-1972), considerado o principal autor do enfoque sistêmico. Bertalanffy não concordava com a visão cartesiana do universo. O enfoque sistêmico surge em função das limitações dos procedimentos analíticos cartesianos. Bertalanffy publicou sobre o assunto a partir de 1925, mas suas obras ficaram mais conhecidas após 1950, como no caso de A Teoria Geral dos Sistemas. Em 1954, von Bertalanffy criou uma sociedade para pesquisar o assunto. Suas ideias foram difundidas e aplicadas nas décadas seguintes, principalmente a partir de 1960. 

A base biológica da compreensão sistêmica é o fato dos sistemas organizarem-se em redes: células combinam-se para formar tecidos, que constituem órgãos, que, por sua vez, formam organismos existentes dentro de sistemas sociais e de ecossistemas. von Bertalanffy  sugeria que se deve estudar sistemas globalmente, de forma a envolver todas as suas interdependências, pois cada um dos elementos, ao serem reunidos para constituir uma unidade funcional maior, desenvolvem qualidades que não se encontram em seus componentes isolados. Para Bertalanffy (1973), os “todos” são formados de partes interdependentes. Para compreender o todo, é preciso analisar não apenas os elementos, mas suas inter-relações.

Reine Likert, em seu Livro Novos padrões da administração (1961),  sugere que a organização pode ser vista como um sistema de interligação de grupos. Sugere, ainda, que os grupos são ligados por indivíduos em posições-chave, que pertencem ao mesmo tempo a dois ou mais grupos.

A mesma ideia foi recolocada por Senge (1991), ao tratar da aprendizagem organizacional. Para o autor, o pensamento sistêmico é a disciplina que visualiza o todo, reconhece padrões e inter-relações e aprende como estruturar essas inter-relações de forma mais eficiente e efetiva.


Conceito de Sistema é:
• um conjunto de elementos;
• dinamicamente inter-relacionados;
• forma uma atividade;
• visa atingir um objetivo;
• operando sobre dados/energia/matéria;
• para fornecer informação/energia/matéria.


Conceitos fundamentais da Teoria Geral de Sistemas.
  • Entropia - todo sistema sofre deterioração;
  • Sintropianegentropia ou entropia negativa - para que o sistema continue existindo, tem que desenvolver forças contrárias à Entropia;
  • Homeostase - capacidade do sistema manter o equilíbrio, adaptando-se ao ambiente;
  • Heterostase - toda vez que há uma ação imprópria (desgaste) do sistema, ele tende a se equilibrar. (OBS: O "estado de equilíbrio", segundo a lei da entropia, é um pouco diferente do que pode parecer pelo senso comum)

Teoria Matemática da Administração
A Teoria Matemática surgiu com a utilização da pesquisa operacional (PO) no decorrer da Segunda
Guerra Mundial. O sucesso do método científico no campo da estratégia militar fez a PO ser
utilizada em organizações públicas e privadas a partir de 1945. A Teoria Matemática desloca a ênfase na ação para a ênfase na decisão que a antecede. O processo decisório é o fundamento básico da Teoria Matemática, constituindo no campo de estudo da Teoria da Decisão. O trabalho clássico sobre teoria dos jogos de Von Neumann e Morgenstern (1947) e de Wald (1954) para a teoria estatística da decisão. 

A Teoria Matemática aplicada à solução dos problemas administrativos é conhecida como pesquisa operacional (PO) e tem sua maior aplicação na chamada Administração das Operações. Os temas mais tratados pela Administração por Operações são: 
• Operações: o estudo dos processos produtivos e produtividade empresarial; 
• Serviços: o estudo dos sistemas de operações de serviços; 
• Qualidade: o estudo do tratamento estatístico da qualidade, da melhoria contínua, programas de qualidade total e certificação ISO. 
• Estratégia de operações: estuda o alinhamento entre a estratégia empresarial e a estratégia operacional; 
• Tecnologia: o estudo da aplicação do computador na administração das operações. 




Ideias centrais
De acordo com a abordagem sistêmica, a organização é vista em termos de comportamentos inter-relacionados. Há uma tendência muito grande a enfatizar mais os papéis que as pessoas desempenham do que as próprias pessoas, entendendo-se papel como um conjunto de atividades associadas a um ponto específico do espaço organizacional, a que se pode chamar cargo.

Lembrando que os conceitos:
Abordagem cientifica: homem econômico
Teoria das  relações sociais: homem social
Abordagem Clássica: homem econômico e social
Abordagem estruturalista: homem organizacional
Teoria comportamental: homem administrativo

Já na abordagem cibernética temos o homem digital