terça-feira, 7 de junho de 2016

Avaliação crítica de artigos de farmacoeconomia

AVALIAÇÃO CRITICA DE ARTIGOS EM FARMACOECONOMIA
Profa. Dra. Marcia Regina Godoy


1. Título e resumo estão  adequados?
Pode parecer não ser importante preocupar-se com o título de um artigo, mas, na estratégia de busca para a condução de revisão sistemática, alguns pesquisadores buscam as palavras-chave no título e abstract do artigo. Assim, ao realizar um artigo farmacoeconômico é adequado que o autor faça um título e abstract contendo informações essenciais de seu trabalho, tais como, os produtos avaliados, e a técnica adotada (custo-efetividade, custo-utilidade, custo-minimização, custo-utilidade),

A partir da leitura do título, é possível determinar o que está sendo comparado e qual tipo de estudo está sendo realizado?
Tipo de estudo: o tipo de estudo está declarado?

Objetivo claro: um objetivo claro foi declarado? 
Exemplos:
"The cost-effectiveness of screening" . Este título não especifica o comparador e não informa qual é o tipo de rastreio utilizado.

Bom exemplo:

2.    Alternativas adequadas: alternativas ou elementos adequados de comparação foram considerados?
Em estudos farmacoeconômicos, os fabricantes de produtos novos costumam comparar ou mensurar o desempenho de do novo medicamento em relação a uma terapia-padrão atual. Na seleção de comparador pode-se utilizar as melhores opções clinicas; ou as opções utilizadas com mais frequência. Assim, é importante que conhecer as práticas locais, guidelines de tratamento, relação de medicamentos disponibilizados, histórico de utilização, etc.
Algumas vezes, pode-se realizar um painel Delphi para identificar a prática local para estabelecer o melhor comparador.  

As alternativas de tratamento podem incluir tratamento não medicamentoso (por exemplo, medicamento versus cirurgia). Também pode ocorrer de ocorrer a possibilidade de haver uma alternativa de não fazer nada ( ex: vacinar ou não; realizar rastreio ou não).

2.1 Há alguma alternativa importante que foi omitida?
2.2 A alternativa de não fazer nada poderia ser considerada neste estudo?

3.    Alternativas descritas: foi fornecida uma descrição suficiente das alternativas concorrentes ?
Se estivermos comparando medicamentos, as doses e a duração do tratamento devem ser informados. Se necessário, informar a equivalência terapêutica dos produtos para evitar comparar uma dose muito baixa de um produto com uma dose alta de seu concorrente. Por exemplo, comparar rosuvastatina xmg com sinvastatina xxxmg.

3.1 Este estudo pode ser replicado com base nas informações oferecidas?

4.    Perspectiva declarada: a perspectiva do estudo foi abordada?
A perspectiva diz aos leitores como os custos são medidos.
Os editores e avaliadores estão cientes de que os leitores procuram por uma frase que declare explicitamente a perspectiva do estudo. Ex: "A perspectiva do estudo foi....". Entretanto, alguns artigos podem utilizar outras frases como:" os custos para o sistema público de saúde do Brasil foram avaliados...", indicando a perspectiva sem utilizar este termo especifico.

5.    As efetividades das terapias estão descritas?
5. 1 As medidas de efetividade foram obtidas através de ensaios clínicos randomizados?

Veja a Oxford piramide 

5.2 O ensaio clinico reflete o que acontece na prática?

5.3 A efetividade foi obtida através de uma ampla revisão dos ensaios clínicos? Foi conduzida uma revisão sistemática da literatura?

5.4. A efetividade foi obtida em estudo observacional? Se sim, há algum viés potencial nos resultados?

5.   Custos relevantes: todos os custos importantes e relevantes foram incluídos?
·         Com base na perspectiva declarada, será que todos os tipos de custos relevantes foram avaliados? 
·         As unidades de medida dos custos são adequadas? Ex: horas de trabalho, número de consultas médicas
·         Os custos foram coletados durante um período adequado? 
Comentário: Aqui é importante entender a evolução natural da doença para coletar os dados de custos e efetividade durante um horizonte temporal suficientemente longo para captar todos os custos envolvidos no tratamento.
·         Houve justificativa para quaisquer custos ou consequências importantes que não tenham sido incluídos? 
·         Os custos de capital, bem como os de operação, foram incluídos?
·         As fontes de dados dos custos foram informadas?
Comentário: Em alguns dossiês submetidos à CONITEC o demandante não informa a fonte de dados. Assim, o pedido de incorporação é rejeitado.
·         O custo incremental foi calculado?

No caso de estudos com a perspectiva do SUS, não avalie os custos de transporte e perda de produtividade porque na perspectiva do pagador estes custos não são considerados.


6.    Desfechos (outcomes) relevantes: os desfechos importantes ou relevantes foram medidos?

7.    Ajuste ou discounting: o ajuste ou discounting foi adequado? 
Se dados retrospectivos forem analisados para a avaliação dos recursos utilizados ao longo de vários anos, esses custos devem ser ajustados, ou padronizados, para a valoração de recursos de um determinado momento. Além disto, o valor temporal do dinheiro deverá ser incorporado às estimativas de custos, utilizando-se taxas de desconto para calcular o valor presente. 

7.1.    Os custos e as consequências que ocorrerão no futuro sofreram desconto para o valor presente?

7.2.    Há justificativa para a taxa de desconto utilizada? 

8.    Pressupostos razoáveis: os pressupostos estão declarados e são razoáveis?

9.    Análise de sensibilidade: foram conduzidas análises de sensibilidade para as estimativas?
9.1. If data on costs and consequences were stochastic (randomly determined sequence of observations), were appropriate statistical analyses performed?
9.2.    If a sensitivity analysis was employed, was justification provided for the range of values (or for key study parameters)?
9.3.    Were the study results sensitive to changes in the values (within the assumed range for sensitivity analysis, or within the confidence interval around the ratio of costs to consequences)?

10.    As limitações do estudo foram abordadas? As extrapolações para alé da população estudada foram apropriadas? O estudo faz sentido? Os resultados são apresentados de forma imparcial?

11.    Did the presentation and discussion of study results include all issues of concern to users?
11.1.    Were the conclusions of the analysis based on some overall index or ratio of costs to consequences (e.g. cost-effectiveness ratio)? If so, was the index interpreted intelligently or in a mechanistic fashion?

11.2.    Were the results compared with those of others who have investigated the same question? If so, were allowances made for potential differences in study methodology?
11.3.    Did the study discuss the generalisability of the results to other settings and patient/client groups?

11.4.    Did the study allude to, or take account of, other important factors in the choice or decision under consideration (e.g. distribution of costs and consequences, or relevant ethical issues)?

11.5.    Did the study discuss issues of implementation, such as the feasibility of adopting the ‘preferred’ programme given existing financial or other constraints, and whether any freed resources could be redeployed to other worthwhile programmes?

Fontes:
Drummond M et al. Methods for the economic evaluation of health care programmes. 2nd ed. Oxford. Oxford University Press. 1997.
Rascatti, Karen. Introdução à Farmacoeconomia. 


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