quinta-feira, 7 de junho de 2018

Avaliação econômica em estudos de substituição/aquisição de equipamentos

Quando um equipamento está em uso, há ocasiões em que convém analisar a conveniência ou não de uma eventual substituição.

As principais razões de uma substituição de equipamentos são:
1 - custo exagerado da operação e da manutenção devido a desgaste físico;
2 - inadequação para atender a demanda atual
3 - obsolescência em comparação aos equipamentos tecnologicamente melhores e que produzem produtos de melhor qualidade;
4 - possibilidade de locação de equipamentos similares com vantagens relacionadas com o Imposto de Renda

Para fins de avaliação, os insumos passados (operação e manutenção) não devem ser incluídos em estudos de substituição, pois tratamos , exclusivamente, do instante da substituição para frente.
Devemos notar, entretanto, que os efeitos relacionados com o Imposto de Renda, cujas causas tenham sido originadas no passado, devem ser considerados. O valor do equipamento, no instante da substituição, é igual à oferta recebida pela sua revenda.

Para realizar a avaliação é necessário que o analista defina o horizonte temporal da análise. Esse horizonte será também o limite do prazo no qual analisaremos todas as alternativas existentes para a eventual substituição. Portanto, a vida de serviço (life service) terá uma extensão desde o instante da substituição do equipamento até o instante final do tempo da nossa análise. 

Se qualquer alternativa/equipamento tiver vida útil superior ao horizonte temporal definido previamente, por exemplo, uma caldeira, aparelho de raio-x, não tomaremos em consideração os custos de manutenção, de operação ou outros insumos que possam ocorrer após o horizonte de análise.

O eventual valor residual do equipamento em uso deverá ser adequadamente avaliado para o final da vida de serviço. No exemplo a seguir, um equipamento foi adquirido por R$ 2 milhões e espera-se que ao fim de 10 anos o mesmo tenha um valor residual de venda de R$400 mil. Cada alternativa avaliada deve apresentar um valor residual, mesmo que seja igual a zero. 

Exemplo: O Hospital Dos Remédios adquiriu há 5 anos um equipamento por R$5.000.000, possuindo uma vida útil contábil de 15 anos, com valor residual nulo e custos operacionais iguais a R$800.000/ano. As vendas de equipamentos são tributadas a 40% de Imposto de Renda. A taxa minima de atratividade definida pela direção é de 12% a.a. Atualmente, o equipamento possui um valor de mercado igual a $750.000.

Em virtude da inadequação de atendimento à demanda atual, a direção decidiu substituir o equipamento por outro a ser selecionado entre dois equipamentos tecnicamente equivalentes, ambos com vida útil de 10 anos. O equipamento K custa R$2 milhões  e custo operacional de $500.000/ano e tem valor residual de R$400.000. O equipamento L custa R$4 milhões, custo operacional de R$200.00/ano e valor residual de R$800.000. Qual o equipamento deve ser selecionado?

i = taxa de atratividade 12% ( para aplicações em ATS, o analista deve utilizar a taxa de desconto preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil, que é de 6% ao ano).

n = vida contábil do equipamento

Resolução:
1 passo: representar  fluxo de caixa de cada alternativa

2 - calcular o valor do equipamento atual
IR= 0,4 * L
L= R-D
D= depreciação: valor contábil do equipamento

Calculando o Imposto de Renda


a)  calcular a depreciação do equipamento

Eq. antigo - já depreciado após 5 anos de uso. Tal equipamento tem uma vida útil contábil igual a 15 anos.
D= depreciação
D=5.000.000 - (5 x (5.000.000/15))=3.333.333


b)  imposto de renda originado pela revenda do equipamento
R=750.000 valor atual do equipamento
IR=0,4 (750.000 - 3.333.333)= - 1.033.333 (receita aparente)

O sinal negativo demonstra que houve um prejuízo. Portanto, o Imposto de Renda atuará como "receita aparente", reduzindo a parcela a ser paga no IR total da empresa.

Eq. K - IR=0,4 (400.000 - 0 )= 160.000 (despesa aparente)  -

Eq. L - IR=0,4 (800.000 - 0 )=320.000 (despesa aparente)

D=0, pois ao fim do período de análise o equipamento foi integralmente depreciado.

3 - calcular o imposto de renda proveniente da depreciação anual dos equipamentos - Nota: não utilizar em ATS
Eq K= 0,4 (2.000.000/10)=80.000 (receita aparente)
Eq. L= 0,4 (4.000.000/10)=160.000 (receita aparente)

4- calcular o imposto de renda proveniente dos custos operacionais (despesas reduzem a base tributária) - não utilizar em ATS
Eq. K =        IR = 0,4 x 500.000 = 200.000    (receita aparente)
Eq. L            IR = 0,4  x 200.000 =  80.000 (receita aparente)

5 - Calcular o custo presente liquido dos equipamentos avaliados
note que os custos operacionais e depreciação e configuram duas séries uniformes de pagamentos, sendo que deve ser calculado o valor presente de ambas considerando a TMA e o tempo de vida contábil, no caso 20% e 10 anos, respectivamente.

CPL = valor atual do eq. antigo - depreciação do eq. antigo + valor equipamento novo + (- IR sobre custo operacional - IR depreciação) * ( fator de valor presente para série uniforme de pagamento**) + (-valor de revenda + IR revenda) * ( 1/(1 + TMA) ^ tempo vida útil))
Eq. K
CPL= - 750.000 - 1.033.333 + 2.000.000 + (-200.000 - 80.000 + 500.000) * ((1 + i) ^ n) + (-400.000 + 160.000) * (1/((1 + i ) ^n))
CPL = -750.000 - 1.033.333 + 2.000.000 + 220.000 x 4,192 + -240.000 x 0,1615
CPL K= 1.100.147

repetindo para a alternativa L temos

CPL L=1.971.467

Decisão: 
Como  CPL k < CPL L, pois 1.100.147 < 1.971.467, concluímos que a alternativa K é melhor.

No exemplo não foram levadas em consideração as receitas a serem advindas dos equipamentos. Caso seja relevante, o analista pode incluir na análise as receitas dos equipamentos, trazendo-as ao valor presente.


Valor Presente de uma série uniforme de pagamentos
Pagamento anual 100
Taxa de juros 20%
Número de anos 10
VALOR PRESENTE R$ 419.25
No Excel = VP(B11,B12,-B10)

**Usando tábuas financeiras

 VALOR PRESENTE de uma série uniforme de pagamentos taxa de juros 20%
tempo Valor anuidade 1/(1+i)^n Valor Presente Fator de multiplicação
1 100 0.833 83.33
2 100 0.694 69.44 1.528
3 100 0.579 57.87 2.106
4 100 0.482 48.23 2.589
5 100 0.402 40.19 2.991
6 100 0.335 33.49 3.326
7 100 0.279 27.91 3.605
8 100 0.233 23.26 3.837
9 100 0.194 19.38 4.031
10 100 0.162 16.15 4.192




Fonte: HIRSCHFELD, H. Engenharia Econômica e Análise de Custos. 6ª ed. São Paulo: Atlas, 1998. - cap. 13




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