terça-feira, 29 de maio de 2018

Exercício: Demonstrações Contábeis e Indicadores Econômico-Financeiro

Os alunos deverão analisar as Demonstrações Contábeis de uma empresa qualquer. Sugiro que os alunos utilizem  dados das demonstrações contábeis de empresas listadas na BM&FBOVESPA. Na aba "Empresas Listadas" escolha a empresa que pretende analisar.
Em seguida clique em Demonstrações Financeiras Padronizadas  (DFP) da empresa consultada. No caso da  MRV no site da BM&FBOVESPA estão disponíveis as demonstrações de 2006 a 2018.

Caso a empresa não seja listada na bolsa ou não encontre as informações desejadas na DFD sugiro que consulte o site da empresa de seu interesse na seção "Relações com Investidores".  Para um exemplo, consulte o site da WEG, uma empresa que produz sistemas industriais e máquinas e equipamentos.

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PARA EMPRESAS LISTADAS NA BOLSA DE NOVA YORK
Caso o aluno queira  analisar uma empresa dos Estados Unidos,  a US Securities and Exchange Commission - SEC tem um site público e gratuito chamado EDGAR que coloca os relatórios financeiros das empresas listadas à disposição. Os relatórios mais comuns são o 10-K e o 10-Q. Os relatórios 10-K contém informações financeiras do exercício fiscal anterior e o 10-Q é um relatório menor que inclui as demonstrações financeiras trimestrais. As empresas estrangeiras que tem ações comercializadas na bolsa americana devem apresentar também o relatório 20-F. O Securities Exchange Act de 1934 exige que as empresas de capital aberto apresentem à SEC relatórios anuais (10 k ou 20 F), trimestrais (10Q) e mensais (8k). A lei Sarbanes-Oxley (SOX) de 2002, exige que os executivos de uma companhia de capital aberto devem examinar e assinar os relatórios anuais e responsabiliza a administração pela exatidão de suas demonstrações financeiras. 

Para ter acesso aos relatórios entre em "Search for Company Fillings", "Companies & Other Filers" e digite o nome da empresa de seu interesse. Por exemplo, as demonstrações financeiras da ABBVIE podem ser obtidas aqui.

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Utilize a planilha eletrônica denominada trabalho que está disponível no Google Drive para compilar as informações financeiras de três anos da(s) empresa(s) de seu interesse. Em seguida, calcule e interprete ao menos cinco  indicadores econômico-financeiros da empresa analisada.

Entrega: impressa




terça-feira, 15 de maio de 2018

Emília no mundo do dinheiro

A turma do sítio estava jogando conversa fora na varanda quando Emília começou a falar de números e dinheiro. Visconde, que era muito inteligente, explicou que o serviço principal dos números era indicar as somas de dinheiro, porque o dinheiro é uma coisa  importante  para os homens.

—  Por quê? — perguntou a boneca. — Para mim dinheiro não tem importância nenhuma. Dou o desprezo. . .

—  Para as bonecas não terá, mas para os homens tem muitíssima, porque o dinheiro é uma coisa que se transforma em tudo quanto eles desejam. Se eu tenho um pacote de dinheiro, posso transformá-lo numa casa, numa vaca de leite, num passeio à Europa, num terreno, numa porção de ternos de roupa, numa confeitaria inteira de doces, num automóvel — em tudo quanto eu queira. Daí vem a importância do dinheiro e a fúria dos homens para apanhar a preciosa substância. Quem tem uma casa, tem uma casa e nada mais; mas quem tem dinheiro tem o meio de ter tudo quanto imagina. O dinheiro é uma substância mágica que existe. Em vista disso, vou apresentar ao respeitável público a Senhora QUANTIA, que é a dama mais orgulhosa da cidade da Aritmética, pelo fato de só lidar com dinheiro. A Senhora QUANTIA é a chefe do "banco" mais importante do mundo, que é o FMI.

Visconde foi até a sala, fazendo mil salamaleques, de lá trouxe pela mão a grande dama.

—  Respeitável público! — disse ele comovido. — Tenho a honra de introduzir a Ilustríssima
Senhora Dona Quantia, a grande dama que só lida com dinheiro.

Dona Quantia era um poço de orgulho. Veio de óculos escuros e cabeça alta, olhando para todos com grande insolência. Estava vestida duma fazenda feita de notas de 500 euros e trazia colar, cinto e pulseira de moedas. Em seu peito havia, bordado a fio de ouro, um sinal assim: $, que é o sinal do dinheiro. Toda ela tilintava: tlim, tlim, tlim, tlim.

—  Já sei — cochichou Emília ao ouvido da menina. — Essa "Numera" que só lida com dinheiro é filha da outra, quer ver? — E criando coragem gritou para a emproadíssima dama:
 —  A senhora tem os traços de Dona Quantidade. Vai ver que é filha dela.

A grande dama mirou a boneca de alto a baixo  e dignou-se a responder:
—   Sim, espirrinho de gente, sou filha da Quantidade; mas enquanto minha pobre mãe lida com todas as coisas que existem, eu só lido com dinheiro. Cada país tem o seu dinheiro, e vocês no Brasil tiveram o mesmo dinheiro do velho Portugal. A unidade do dinheiro no Brasil é o REAL — a menor de todas as unidades de dinheiro do mundo. Mas o dinheiro do Brasil mudou muitas vezes de nome e já foi cruzeiro, cruzado, réis, cruzado novo, ...... E há mais de vinte anos veio o REAL, e as velhas moedas  foram para as coleções dos numismatas.

 —  Que bichos são esses? — indagou Pedrinho.

 —  Numismata — explicou Dona Quantia — é o sujeito que coleciona moedas; e a arte de colecionar moedas se chama Numismática. Havia antigamente moedas feitas de ouro....tudo brilhava...ah, era muito glamour e eu amava!! Mas depois, passaram a fabricar moedas com cobre, que com o tempo ficavam verdes de azinhavre. Foi uma limpeza desaparecerem essas imundícies.

—  É, mas quando hoje aparece um pobre bem pobre, a gente bem que sente falta das moedinhas de cobre — observou Emília.
 — Por quê? — indagou Dona Benta, admirada.
—  Porque quando o pobre é bem pobre, dos bem sujinhos, a gente tem dó de..... - Emília foi interrompida pela Dona Benta que sabia que coisa boa não sairia das palavras da boneca de pano .

Dona Benta, aliviada,  trocou um olhar com o rinoceronte, como quem diz: Já se viu que diabinha?

Dona Quantia continuou: —  Hoje a moeda menor do Brasil é a de 1 centavo. Vem depois a de 5,10,25, 50 centavos. Em seguida vem a  de 1 real.

—  E depois vêm as "notas"! — berrou Pedrinho, que era muito entendido no assunto e possuía uma velha nota de 10 mil-réis.

 — As notas, ou cédulas,  do Brasil — continuou Dona Quantia — são de 2,5,10, 20, 50, e 100 reais . As cédulas são fabricadas na Casa da Moeda e depois os bancos se encarregam de fazer a distribuição do dinheiro....

 —  E como se escreve a moeda do Brasil? — quis saber Narizinho.

Nesse momento entraram quatro figurões muito interessantes. Um, mascava chicletes, usava boné na cabeça e tinha o pescoço cheio de colares dourados, parecia o rei do mundo. Dois guris usando camisetas de bolinhas vermelhas. E o outro era um sujeito magrinho e com  roupa amarrotada.

O Visconde explicou: —  Eles representam a  unidade monetária do Brasil.

Emília deu uma gargalhada gostosa. —  Incrível! — disse ela. — Para representar 1 real, que é a quantidade de dinheiro mais pulga que existe no mundo,  Visconde teve de mobilizar quatro figurões, um rapper reluzente, outro todo amarrotado, e dois garotos vestindo camisetas de bolinhas;  Bem diz Tia Nastácia: quanto mais magro, mais cheio de pulgas. . .

O Real ficou chateado com as palavras de Emília, e o Visconde disse:

—  A unidade monetária do Brasil de hoje escreve-se assim: R$ 1,00 e lê-se UM  REAL.  Os dois rapazes com camisetas de bolinhas representam os zeros, os quais são os CENTAVOS, isto é, CEM AVÓS, porque o REAL se divide em cem pedacinhos, ou avós, ou seja precisamos de cem moedinhas de um centavo para ter um real. É uma moeda decimal, como existem em moedas adotadas em outros países, como o Dólar nos Estados Unidos; o Euro em Portugal; a Libra Esterlina na Inglaterra...

 —  Antigamente o Brasil usava O Mil-Réis — disse Pedrinho — mas eu acho que tinha o defeito de exigir muitos zeros. Era zero que não acabava mais. . .

—  Isso mesmo. Para escrever cem contos, empregavam-se 8 zeros, além dos dois pontos indicativos de contos e do meu pobre cifrão colocado lá atrás — um desaforo!

Dona Quantia ajeitou os óculos escuros no colar e indagou com voz entediada: —  Querem mais alguma coisa?

 —  Queremos que a senhora nos arranje alguns milhares de reais — disse Pedrinho.

—  Dinheiro ganha-se — respondeu ela. — Se quer tanto dinheiro, cresça, trabalhe e ganhe-o. Além disto, gaste-o com sabedoria.....É uma pena que hoje em dia já não posso mais ter escravos por dívidas não pagas.....eu adorava cobrar altos juros para depois ter escravos....era tão bom...disse dona QUANTIA dando uma gargalhada assustadora...quando retirava-se majestosamente amparada pelo braço do Visconde.

Todos se entreolharam.
—  Já viram emproamento maior? — observou Emília.
 — Essa bruxa, só porque serve para indicar dinheiro, já está assim que ninguém a atura. Imaginem se em vez de indicar dinheiro ela possuísse dinheiro de verdade aos milhares de reais, dólares ou melhor ainda em Libras Esterlinas, que valem muito mais.... ! Fedorenta. . .

Na noite desse dia as crianças só sonharam com os artistas da cidade da Aritmética.

Referência:
LOBATO, José Bento Monteiro. A Aritmética da Emília (1935). Adaptado por Marcia Regina Godoy

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Indicadores Financeiros: Engenharia Econômica

A expressão Indicadores Econômico-Financeiros designa todo o tipo de indicadores baseados em dados econômicos e financeiros de determinada empresa e podem ser expressos em valores monetários absolutos, valores relativos ou taxas de variação, tempo, entre outros.

Tais indicadores permitem verificar  a saúde financeira de uma empresa, fornecendo ao avaliador elementos para sugerir alterações de planos, metas e correções para se alcançar os objetivos da empresa.

Desta forma, podemos resumir:
Análise Econômica: é o estudo do patrimônio líquido e do lucro ou prejuízo;
− Análise Financeira: é o estudo das disponibilidades como forma de saldar suas dívidas. Estuda a capacidade de pagamento da empresa.

Vale lembrar que a análise econômica de um projeto/aplicação em determinado horizonte temporal tem como elementos básicos o valor do investimento, seus retornos e uma taxa de juros, sendo recomendáveis aplicações com valor presente positivo. 

É importante observar que alguns valores considerados investimento no conceito econômico podem não sê-lo no conceito contábil: por exemplo, aplicações em pesquisa e desenvolvimento são investimento no conceito econômico e podem ser despesa no conceito contábil; o lucro líquido contábil considera o custo de capital de terceiros mas não considera o custo do capital próprio, etc (CARVALHO, 2002, p. 309).

A seguir apresentamos alguns dos indicadores econômico-financeiros mais usados:

1. Indicador Financeiro:

1.1 Grau de Endividamento
Representa quanto a empresa tomou de recursos de terceiros para cada real de capital próprio.
Cálculo:

Capital de Terceiros x 100
Patrimônio Líquido
Lembrando que:
Capital de Terceiros: fonte de recursos originados de agentes que não são sócios da empresa, sendo representado no Balanço Patrimonial pelo Passivo Exigível (curto e longo prazo).
Patrimônio Líquido: fonte de recursos originados pelo Capital Próprio (sócios da empresa).
Interpretação
Quanto menor a dependência de capital de terceiros, melhor a liquidez da empresa e, portanto, menor o seu risco financeiro. Em contrapartida, o endividamento é uma fonte importante de recursos para que a empresa possa manter suas operações ou ampliá-las. Deve-se considerar, também, o custo do capital de terceiros que, em muitos casos, são menores que o custo do capital próprio.
Se esse índice for consistente e acentuadamente maior que 1, indicaria uma dependência exagerada de recursos de terceiros. Este é um sintoma típico das empresas que vão à falência, apresentam alto índice de recursos de terceiros durante um longo período.

1.2 Índices de Liquidez
Mostram a base da situação financeira da empresa, procurando medir quão sólida é esta. Uma empresa com bons índices de liquidez tem condições de pagar suas dívidas

a)             Liquidez Geral:
Indica a condição da empresa pagar as suas dívidas em longo prazo. Quanto maior melhor.
[(AC+RLP)/(PC+ELP)]
Onde: AC – Ativo Circulante;
RLP – Realizável a Longo Prazo;
PC – Passivo Circulante;
ELP – Exigível a Longo Prazo.

Vale relembrar que o Ativo é onde a empresa investe valores com o objetivo de obter resultados e Passivo é a fonte de financiamento destes Ativos.

Valor ideal: Em geral quanto maior melhor, mas normalmente considera-se valores ≥ 1 como bons.

b)            Liquidez Corrente:
Indica a condição da empresa pagar suas dívidas de curto prazo. 
LC = AC/PC
Onde: AC – Ativo Circulante
PC – Passivo Circulante

Valor ideal: Quanto maior melhor.

c)             Liquidez Seca:
Indica o quanto a empresa é dependente de seus estoques para pagar suas dívidas de curto prazo.

[(AC – Estoques)/PC]
Onde:
AC – Ativo Circulante
PC – Passivo Circulante

Valor ideal: Quanto maior melhor.

1.3 Indicadores de Eficiência
a)             Ponto de Equilíbrio:
É o nível de produção onde ocorre o equilíbrio entre a receita total e os custos totais, a partir do qual a empresa passa a ter lucro. Veja o gráfico:
E o ponto de equilíbrio é dado por:
Q*= CF / (p - cv)
Onde :
Q* - Ponto de Equilíbrio
CF - Custo fixo total
p - Preço de venda
cv - Custo variável unitário

b)            Prazo Médio de Recebimentos:
Mostra o prazo médio das vendas praticado com os clientes ao longo do ano.
PMR = Duplicatas a Receber x 365
             Receita de Vendas
Valor Ideal: Quanto menor melhor, já que isso significa que a empresa está recebendo o dinheiro referente às suas vendas em um prazo de tempo menor.

c)             Prazo Médio de Pagamentos:
Esse índice é útil para identificar a idade média das duplicatas a pagar, ou em quantos dias pagamos nossas duplicatas. Está diretamente relacionado às condições de crédito obtidas pela empresa.
PMP = Fornecedores x 365

               Compras
COMPRAS – O valor das compras é obtido por meio da fórmula:
CMV = EI + C – EF
CMV – Custo das Mercadorias Vendidas
EI – Estoque Inicial
EF – Estoque Final
C – Compras

Valor Ideal: Quanto maior melhor, já que isso significa que a empresa está tempo uma maior flexibilidade para pagar seus fornecedores e, por consequência, mais tempo para conseguir realizar suas vendas.


1.4 Índices de Lucratividade:
Um dos principais objetivos da empresa é gerar lucro, no entanto esse lucro precisa ser mensurado em relação ao volume de investimentos realizados. Mesmo aquelas empresas denominadas sem fins lucrativos precisam de resultados positivos para continuar operando e ampliando sua atuação. Digamos que uma empresa tenha, como principal objetivo, a assistência social a determinada comunidade, o número de assistidos será tão maior quanto maiores forem os seus resultados (“lucro”).
O lucro da empresa, tomado em valores absolutos, dá uma informação muito restrita sobre a lucratividade da empresa. É preciso relacionar esse lucro com algum outro valor para expressar sua dimensão relativa. Além disso, é preciso saber qual variante do lucro queremos analisar: o lucro operacional, lucro líquido antes ou após o imposto de renda?
Os índices de rentabilidade analisados isoladamente trazem utilidade de informação reduzida. É preciso analisá-los em conjunto com os demais índices (liquidez, endividamento e atividade). Uma empresa pode apresentar, em determinado período, um bom índice de rentabilidade mas, ao mesmo tempo, pode apresentar sérios problemas de liquidez (alto risco pelo volume de empréstimos tomados, por exemplo).

a)             Retorno sobre o Patrimônio Líquido:
Este índice expressa o retorno obtido sobre o capital investido pelos proprietários da empresa e pode ser calculado de duas formas:
Lucro Líquido após IR
Patrimônio Líquido
Taxa de Retorno sobre o Ativo
% Patrimônio Líquido

b)            Rentabilidade do Investimento:
A lucratividade busca informar quanto foi obtido de lucro em relação ao valor investido no ativo. Esse índice procura mostrar o quanto a empresa lucrou para cada R$1,00 do investimento total.
Lucro Líquido após IR
Ativo Total
Valor Ideal: Quanto maior melhor.

c)             Retorno sobre as vendas ou Rentabilidade:
O retorno sobre as vendas informa qual a participação das vendas no lucro líquido do período.
Lucro Líquido após IR
Vendas
Valor ideal: Quanto maior melhor.


Quadro resumo dos indicadores:

Indicador
Fórmula
Interpretação
Indicadores Financeiros
Grau de Endividamento
Capital de Terceiros x 100
Patrimônio Líquido
Quanto menor, melhor.
Índices de Liquidez
Liquidez Geral
[(AC+RLP)/(PC+ELP)]
Quanto maior, melhor.
Liquidez Corrente
LC = AC/PC
Quanto maior, melhor.
Liquidez Seca
[(AC – Estoques)/PC]
Quanto maior, melhor.
Indicadores de Eficiência
Ponto de Equilíbrio
Q*= CF / (p - cv)
Nível de produção onde a empresa passa a ter lucro
Prazo Médio de Recebimentos
PMR = Duplicatas a Receber x 365
             Receita de Vendas
Quanto menor, melhor.
Prazo Médio de Pagamentos
PMP = Fornecedores x 365
               Compras
Quanto maior, melhor.
Índices de Lucratividade
Retorno sobre o Patrimônio Líquido
Lucro Líquido após IR
Patrimônio Líquido
Quanto maior, melhor.
Rentabilidade   do Investimento
Lucro Líquido após IR
Ativo Total
Quanto maior, melhor.
Retorno sobre as vendas ou Rentabilidade
Lucro Líquido após IR 
Vendas
Quanto maior, melhor.

Análise de investimentos: Payback (tempo de retorno)

Payback é a ferramenta de análise de investimentos que determina quanto tempo é necessário para que a empresa recupere o investimento inicial em um projeto, calculado a partir das entradas de caixa (GITMAN, 2013). Este método é muito usado por pequenas empresas, devido à facilidade de cálculo e ao fato de ser bastante intuitivo. O objetivo é identificar a alternativa que tem o menor tempo de retorno do capital. 

Critérios de decisão: 
Quanto maior o payback, maior o tempo necessário para que o investimento se pague. Além disso, quanto maior o payback, maior o risco envolvido, pois o futuro é incerto. Dessa forma, por esse critério, a regra básica é: quanto menor melhor.

A duração do período máximo aceitável de payback é definida pela direção da empresa. Esse valor é fixado subjetivamente, com base em uma série de fatores, inclusive o tipo de projeto de expansão, percepção de risco, etc. 

PAYBACK SIMPLES
Exemplo 1:
Em nosso exemplo, o projeto abate $3.750,00 do investimento no primeiro ano, restando $6.250,00 a ser pago. No segundo ano, outros $3.750,00 reduzem para $2.500,00 o saldo do investimento ainda a ser pago. Apenas no final do terceiro ano é que o investimento estará totalmente pago.
Uma forma simples, porém aproximada, de calcular o payback no caso de uma série uniforme é dividir o investimento total pela receita líquida anual ($10.000,00 ÷ $3.750,00 = 2,67). No exemplo, o investimento estará pago após 2,67 anos (ou 2 anos e 8 meses).


Período
Fluxo de caixa
Valores descontados
0
-10.000,00   
1
3.750,00
-  6.250,00
2
3.750,00
-  2.500,00
3
3.750,00
1.250,00
4
3.750,00
5.000,00
5
5.000,00
10.000,00


Exemplo 2:
A Marajó Health Economics avalia os projetos A e B usando os dados da tabela abaixo. Para o projeto A, que é uma anuidade, o período de payback é de 3,0 anos (investimento inicial de R$42.000 ÷ entrada de caixa anual de R$14.000). Como o projeto B gera uma série  mista de entradas e saída, o cálculo de seu período de payback não é tão direto como no projeto A. No primeiro ano, a empresa recuperará R$28.000 de seu investimento inicial de R$45.000. Ao final do segundo ano, terão sido recuperados R$40.000. Ao final do terceiro ano, terão sido recuperados R$50.000. O período de payback do projeto  B é, portanto, de 2,5 anos.


Período
Projeto A
Projeto B
0
-42.000   
-45.000
1
14.000
12.000
2
14.000
10.000
3
14.000
10.000
4
14.000
10.000
5
14.000
10.000


Prós e contras do payback: 
A principal fragilidade do payback está no fato de que o período adequado é um número determinado de forma subjetiva, que é apenas o prazo máximo aceitável fixado pela administração e no qual os fluxos de caixa atingem o break even (ponto de equilibrio com o investimento inicial). 
Embora seja bastante simples e muito usado, o payback não considera a mudança do valor do dinheiro no tempo. Quer dizer, os $3.750,00 do primeiro ano têm o mesmo valor dos $3.750,00 do ano seguinte, o que só seria verdade caso guardássemos dinheiro no colchão. Uma alternativa seria calcular o payback descontado, o qual sempre será maior ou igual ao payback convencional (Por quê?).

PAYBACK DESCONTADO ou MODIFICADO: 

Período
Fluxo de Caixa
Fluxo Atualizado pela TMA
Fluxo de caixa final
0
-10.000,00
1
3.750,00
3.409,09
- 6.590,91
2
3.750,00
3.099,17
-  3.491,74
3
3.750,00
2.817,43
-  674,31
4
3.750,00
2.561,30
1.887,00
5
5.000,00
3.104,61
4.991,60


Vejamos:


Considerando uma Taxa Minima de Atratividade (TMA) de 10% a.a., vamos calcular os valores atualizados de cada período de acordo com os rendimentos de nosso investimento:

Como descobrir o Payback? Podemos considerar o mesmo raciocínio do Payback simples?

Para calcular o Payback descontado, observe que atualizamos os valores do fluxo de caixa de cada período de acordo com a TMA, para isso, utilizamos a fórmula F=P(1+i)^n, ou seja, para o período 1 – P = 3.750,00/(1+10%)^1, para o período 2 - P = 3.750,00/(1+10%)^2, e assim, sucessivamente. Logo após, descontamos cada valor do saldo do mesmo período.


Ao observar o fluxo de caixa acima, verificamos que o payback se encontra entre o período 3 e 4. Para encontrar o valor real, utilizaremos a INTERPOLAÇÃO.

X - 3: -674,31
4 -X : 1.887,00