terça-feira, 5 de julho de 2016

Farmacoeconomia na precificação

As análises farmacoeconômicas devem estar associadas aos ensaios clínicos, e o estabelecimento de uma estratégia de preços deve ser feito ao longo de todo tempo de vida de um produto. No contexto atual de regulação, a questão crucial não é "qual é o maior preço se pode conseguir para um produto, mas sim que estratégia de preços atenderá melhor aos  objetivos financeiros, sociais, e regulatórios da empresa?"


Produtos inovadores para áreas terapêuticas críticas, sem substitutos e de valor econômico podem receber preços de lançamento mais elevados e com relativamente poucos obstáculos ao reembolso ou incorporação.  

A estratégia de definição de preços deve ser adaptada aos segmentos de pacientes porque a sensibilidade aos preços varia conforme a região e as características da clientela. Devido às diferenças de regulamentação, políticas de reembolso, ambiente social, a estratégia de preços deve desenvolver-se tanto no nível global quanto no nacional. Entre as decisões globais, incluem-se a definição de faixa global de preços, além da sequência de lançamentos entre países de preços altos, pois muitos governos adotam o preço de referência internacional. Entre as estratégias nacionais, incluem-se as negociações com pagadores públicos e privado, e a diferenciação de preços para ampliar o acesso (ou seja, descontos para determinados canais de compra ou segmentos de consumidores).


O sucesso de uma estratégia de precificação se origina do estabelecimento de preços baseado em evidências, isto é, diferenciação pelo valor terapêutico e econômico de um medicamento.  Assim, estudos farmacoeconômicos são um fator primordial no estabelecimento de preços. Embora o seu uso varie nos diferentes países da OCDE, estes países trocam entre si informações econômicas da área de saúde e vem harmonizando seus sistemas regulatórios. A Agencia Europeia de Avaliação de Medicamentos (EMEA) mantem uma rede de informações sobre medicamentos. Nos Estados Unidos, as solicitações ao FDA são complementadas por dados econômicos  considerando o fato de algumas seguradoras levarem em conta as avaliações econômicas realizadas por outras agências, incluindo as do NICE. Dados econômicos são exigidos para reembolso e negociação de preços na Austrália, Portugal, Holanda, Finlândia, Brasil, Espanha, Itália, Alemanha, Canadá, entre outros países.

As análises econômicas devem prosseguir após o lançamento, como parte do acompanhamento pós-marketing e das reavaliações de utilização para as autoridades regulatórias e para dar suporte às solicitações de aprovação de  novas indicações. Assim, as áreas de atuação de um farmacoeconomista são vastas, requerendo uma formação diversificada. 



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