Existem ocasiões em que as características intangíveis de alternativas devem ser levadas em consideração para uma avaliação adequada e poder chegar-se a conclusões aceitáveis.
Como exemplo podemos citar o caso da compra de um automóvel para diretor de empresa em que se deseja o conforto, o estiolo, e outras características intangíveis. Igualmente, podemos considerar a escolha do piso para a sua sala de estar em que você pode avaliar diversos atributos, tais como: conforto térmico, resistência à risco, acústica, durabilidade, tempo de instalação, etc.
A análise eficiência-custo é uma técnica que relaciona os custos de uma intervenção com os
seus benefícios. A questão base que se coloca é: “qual das
alternativas é a mais barata?” Ou “qual a forma/caminho mais eficiente para atingir este
benefício?”
Uma das etapas requer mais atenção do avaliador diz respeito à quantificação das características intangíveis das alternativas avaliadas. Essa tarefa não é trivial, mas necessária para uma classificação justa das alternativas. A eficiência técnica mede a relação simples entre os “inputs” e os “outputs”, tendo em consideração a fronteira de possibilidades de produção.
A metodologia apresentada a seguir utiliza a determinação de valores chamados eficiências os quais são controlados, respectivamente, com os custos das alternativas, obtendo-se as relações eficiências-custos, simbolizados por E/C, cujo valor mais alto refere-se à melhor alternativa.
O método eficiência-custo também é conhecido como análise multi critério, e pode ser definida como um processo estruturante de avaliação e seleção de alternativas, sob condições de alta incerteza, com base na combinação quantitativa e qualitativa de critérios para
a avaliação e comparação de alternativas. Ganhos de
eficiência permitem aumentos do “value for money” através da obtenção de melhores resultados com o mesmo nível de despesa.
A operacionalização é simples. Para a obtenção das eficiências-custos relativas a várias alternativas, pode-se empregar a seguinte sistemática:
a) prepare uma tabela com as n alternativas que serão avaliadas
Na primeira coluna coloque os atributos que serão avaliados em cada uma das alternativas. Na coluna seguinte atribua pesos a cada um dos atributos (conforto, resistência, etc) , de modo que a soma seja igual a 100%.
b) atribua uma nota (preferencialmente em uma escala ordenada, p.ex: 0 a 10) para cada uma das alternativas em seus diversos atributos. Ex: alternativa A: atributos: resistência, conforto, estilo: notas 9, 10, 5,....
c) Multiplique a nota pelo peso atribuído a cada um dos atributos avaliados.
d) Some as notas de todos itens avaliados em cada uma das alternativas.
e) Informe os custos das respectivas alternativas
f) Na linha seguinte calcule a razão eficiência/custo relativas às alternativas
g) Critério de escolha: o maior valor obtido das eficiência-custos será o referente à melhor alternativa, refletindo assim a existência de alta eficiência por unidade monetária dispendida.
Nota: alguns autores fazem a razão entre custo/eficiência, assim neste caso o critério de escolha é o inverso.
h) Trace a fronteira de possibilidade de produção ou envoltória dos dados, colocando as eficiências das alternativas nas ordenadas e os custos respectivos nas abscissas. Então, uma envoltória, começando na origem dos eixos ortogonais e seguindo uma direção tal que determine pontos próximos do eixo y. De forma geral, a seleção da melhor alternativa será feita entre pontos pertencentes à envoltória.
Em um cenário de recursos mais abundante, não podemos deixar de considerar alternativas que apresentem melhor eficiência a um custo ligeiramente superior. Assim, o analista deve calcular a eficiência-custo adicional:
Eficiência da alternativa mais eficiente - eficiência da alternativa com melhor eficiência-custo/ (Custo da alternativa mais eficiente - Custo da alternativa com melhor razão eficiência-custo)
Métodos Avançados para Avaliação de Eficiência:
Análise envoltória de dados (data
envelopment analysis - DEA
O método DEA é um método de análise de eficiência de firmas com múltiplos
insumos e produtos. Este método envolve a construção por partes de uma fronteira sobre
os dados e o cálculo da eficiência de cada unidade tomadora de decisão (Decision Making
Unit - DMU) a partir de sua distância para esta fronteira (COELLI et al., 2005).
Introduzida por Charnes, Cooper e Rhodes em 1978, a Análise Envoltória de Dados é
uma importante área da Pesquisa Operacional e da Ciência Econômica, conforme atestado pela
enorme quantidade de publicações com aplicações práticas e desenvolvimentos teóricos ao
longo de pouco mais de três décadas (COOK & SEIFORD, 2009). De forma resumida, a
Análise Envoltória de Dados pode ser descrita como uma técnica não paramétrica, baseada em
programação linear, para a avaliação das eficiências de organizações (Decision Making Units -
DMU) que atuam em um mesmo ramo de atividade, por exemplo, escolas públicas, agências
bancárias, fábricas e concessionárias de serviços públicos.
Paralelamente aos avanços teóricos, observa-se a evolução dos programas dedicados à
DEA, desde softwares comerciais como o DEA Solver Pro (http://www.saitechinc.com/products/prod-dsp.asp), Frontier Analyst (http://www.banxia.com/frontier/),
MaxDEA (http://www.maxdea.cn/) e PIM-DEASoft (http://www.deasoftware.co.uk/), até
programas não comerciais como DEAP (http://www.uq.edu.au/economics/cepa/deap.php) e
SIAD (http://www.uff.br/decisao/). Uma lista mais abrangente dos programas dedicados à
DEA e suas funcionalidades pode ser encontrada em (ÂNGULO-MEZA et al, 2005). Destaca-se também páginas na internet que oferecem a possibilidade de obter resultados de diferentes
modelos DEA mediante a simples introdução dos dados de entrada, por exemplo,
http://www.dea.uni-hohenheim.de/index.php. Adicionalmente, os modelos DEA podem ser
programados em planilha eletrônica por meio do Solver Excel, conforme descrito por Ragsdale
(2009).
Vantagens em usar a análise da eficiência:
a) Promove a prestação de contas e responsabilização (accountability) no contexto das
intervenções. No mínimo, as intervenções têm que ser capazes de dizer aos
financiadores (ou potenciais financiadores) que, durante um determinado período de
tempo, as intervenções forneceram um determinado nível de serviços a um número
específico de clientes (beneficiários) e a determinado custo;
b) Ajuda a identificar as prioridades quando os recursos são limitados;
c) Pode ser extremamente poderosa e persuasiva para os decisores políticos e outros
financiadores.
Desvantagens em usar a análise da eficiência:
a) Requer, na maior parte das vezes, grandes competências técnicas e conhecimento;
b) Análises da eficiência demasiado simplistas e que, por esta razão, sofrem de sérias
inadequações conceptuais e metodológicas.
Uma análise demasiado simplista pode levar a indicações erradas, pensando-se no entanto que se tem por base uma análise técnica. Neste caso, a análise é mais prejudicial do que positiva, dificultando a tomada de decisão.
Uma análise demasiado simplista pode levar a indicações erradas, pensando-se no entanto que se tem por base uma análise técnica. Neste caso, a análise é mais prejudicial do que positiva, dificultando a tomada de decisão.
Eficiência e Eficácia
A eficiência se refere a produzir corretamente, utilizando os recursos disponíveis da melhor forma possível e sem gastar muito. Dessa forma, é possível diminuir os custos, o tempo, as perdas e os desperdícios.
O conceito de eficácia diz respeito à capacidade de fazer o que deve ser feito, cumprir metas, alcançar objetivos, ter foco, concentrar energia na realização de algo, obedecer prazos e entregar resultados. Por exemplo: uma estatina teoricamente deve reduzir os níveis de colesterol. Funciona? Sim: eficaz
Agora falta a efetividade! O termo consiste em fazer o que tem que ser feito, atingindo os objetivos traçados e utilizando os recursos da melhor forma possível. Portanto, este é um conceito que se refere à capacidade de ser eficiente e eficaz ao mesmo tempo. X é a melhor estatina, pois é eficaz e mais eficiente do que as demais.
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