sexta-feira, 22 de março de 2019

Exemplo: teoria da produção

Suponha que a empresa Marajó Mining use capital (equipamentos de mineração) e mão de obra (trabalhadores) para extrair minério de urânio. Diversos tamanhos de equipamentos de mineração, avaliados de acordo com sua potência em bHP,3 estão disponíveis para a empresa. A quantidade de minério produzida durante um determinado período (Q) é função somente do número de trabalhadores designados para a equipe (L) que opera um determinado equipamento (K).

Os dados abaixo indicam a quantidade de minério produzida (medida em toneladas) quando equipes de diversos tamanhos são empregadas para operar o equipamento, bem como o produto marginal, produto médio e elasticidade da produção.

Tabela: Produto marginal

Os dados da tabela mostram que o produto marginal adicionado por trabalhador à equipe aumenta no início, e o produto total aumenta a uma taxa crescente. Na terceira coluna vemos que a adição de um segundo trabalhador à equipe resulta em 10 toneladas adicionais de produto; a adição de um terceiro trabalhador resulta em 13 toneladas adicionais de produto. Entretanto, a partir do quinto trabalhador a os ganhos de produtividade tornam-se menores. Essa queda de produto ocorre porque há um número limitado de modos de obter maior especialização do trabalho e porque cada trabalhador adicional provoca efeitos de superpopulação.

Produto médio do fator: calculado pela divisão da quantidade total produzida pela quantidade utilizada desse fator.

Produto marginal: é o volume de produção adicional gerada ao se acrescentar uma unidade do fator (capital ou trabalho)

Caso da Boeing:
A Boeing elevou a produção de 244 aeronaves entregues em 1995 para 560 em 1999, a fábrica de Everest adotou três turnos de 6000, 4000 e 1500 trabalhadores, e o dobro de peças empregadas. Apesar do aumento do número de trabalhadores, o tempo de produção dos aviões continuou em 21 dias, mas o número de horas extras aumentou devido a problemas na linha de produção, tais como substituição de peças defeituosas, causando retrabalho. Para resolver estes problemas, a Boeing iniciou o processo de terceirização da linha de montagem, dando inicio à produção enxuta (just in time). Em 2001, a empresa  entregou 527 aeronaves. Em 2003, a Boeing perdeu sua liderança no mercado e entregou somente 290 aeronaves. Em 2005, diante da concorrência da Airbus e quedas nas vendas, a Boeing lançou o 787 Dreamliner, o primeiro avião comercial feito majoritariamente de fibra de carbono e com cerca de 70% da produção terceirizada para empresas de diversos países, reduzindo assim o custo de produção. Essas alterações tecnológicas e de gestão contribuíram para a competividade da empresa, que em 2018 entregou 806 aeronaves.

O caso Boeing mostra que não é sempre que aumento de mão de obra conduz a aumento da produtividade.




Nenhum comentário:

Postar um comentário