quarta-feira, 27 de março de 2019

Custos contábeis e Custos econômicos

Lembrando que o objetivo básico de uma firma é a maximização de seus resultados e que a máxima produção pode ser conseguida mediante a combinação de diferentes fatores de produção.


A otimização dos resultados da firma poderá ser obtida quando for possível alcançar um dos seguintes objetivos:
a) maximizar a produção para um dado custo total; ou
b) minimizar o custo total para um dado nível de produção.


Para obter o equilíbrio, muitas firmas tem buscado minimizar custos, pois em alguns mercados é mais difícil realizar alterações do nível de produção e/ou do preço de venda de seus produtos. Assim, neste post vamos tratar sobre custos. 

Em sua forma mais elementar,  custo simplesmente se refere ao sacrifício incorrido sempre que há uma troca ou transferência de recursos. Esta associação entre oportunidades perdidas e custos econômicos se aplica a todas as circunstâncias. Entretanto, a maneira apropriada de mensurar custos é uma função do propósito para o qual a informação é usada.


Primeiramente, cabe destacar que custos econômicos são diferentes de custos contábeis, pois não são computados somente os desembolsos realizados pela firma para alcançar determinado nível de produção, mas também os custos de oportunidade. Essa diferença decorre do fato que  contadores se preocupam, principalmente, em determinar custos para fins de relatórios financeiros e tributários, enquanto os economistas  e financistas se preocupam, especialmente, com medidas de custos para fins de tomadas de decisões.

Como você pode ver em outros posts sobre engenharia econômica, geralmente, os analistas aplicam uma taxa de desconto (custo de oportunidade) para avaliar diferentes alternativas de investimento. O custo de oportunidade do tempo do proprietário é medido pelos salários mais atraentes ou outra forma de compensação que o proprietário poderia ter recebido aplicando seus talentos, habilidades e experiência no desenvolvimento de uma outra atividade. Do mesmo modo, o custo de oportunidade do capital é medido pelo lucro ou retorno que se poderia ter recebido se o proprietário tivesse escolhido empregar capital em um outro investimento alternativo e de risco comparável. 



Terminologias em custos industriais:
Gasto: conceito amplo que significa sacrifício financeiro de uma maneira geral. O sacrifício é representado por entrega ou promessa de entrega de dinheiro ou outros ativos. Engloba, portanto, investimento, custo, despesa e perda.
Custo: Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Ex: consumo de matérias primas na produção, salário dos empregados da área de produção, energia elétrica usada na produção, depreciação de máquinas da produção.
Custo contábil: é igual ao custo efetivo de aquisição de um determinado bem
Custo econômico:é igual ao custo corrente de reposição de determinado bem. 
Despesa: Gasto relativo a bem ou serviço consumidos para obtenção de receitas. Ex: salários da administração geral, depreciação de ativos fora da produção, comissão de vendedores. O custo de produção torna-se despesa quando o produto é vendido, mas costuma-se chamá-lo de custo do produto vendido.
Investimento: gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos. Cita-se como exemplo: Estoques, Aplicações, máquinas e equipamentos, construções civis, marcas e patentes, ações de outras empresas.
Perda: gasto com bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária. Não é um sacrifício feito com a intenção de obtenção de receitas. Ex: valor dos danos provocados por incêndios ou enchentes, obsoletismo de estoques, gasto com mão de obra durante uma greve, refugos anormais, unidades defeituosas.
Valor residual: Ao final da vida do projeto estima-se o valor residual de venda do investimento fixo e considera-se o desativamento do capital de giro como uma entrada de caixa.
Capital de Giro: O investimento fixo é composto por equipamentos, terrenos, construções civis, instalações industriais, móveis, etc. O investimento em giro é o capital de giro necessário para por em marcha a empresa, ou seja, disponibilidades, estoques, e os recursos necessários para sustentar as vendas a prazo.


Despesas Gerais Variáveis podemos citar:
- Despesas Variáveis com Vendas (Comissão de vendedores)
- Despesas Financeiras com Desconto de Duplicatas

Despesas Gerais Fixas consideram-se: Despesas Administrativas; - Impostos fixos (IPTU, Taxas diversas)

b) Outras Despesas e Desembolsos
DEPRECIAÇÃO CONTÁBIL: É uma despesa sem desembolso que pode ser considerada para efeito de abatimento no Imposto de Renda.
DESPESAS FINANCEIRAS: Referem-se aos juros de financiamentos de médio e longo prazos e podem ser abatidas para efeito de Imposto de Renda.
AMORTIZAÇÃO DE FINANCIAMENTOS: A Amortização é um desembolso e não uma despesa, e portanto não é dedutível do Imposto de Renda.
IMPOSTOS PROPORCIONAIS: São os impostos proporcionais à Receita Bruta de Vendas como, p. ex., ICMS, IPI e PIS/FINSOCIAL. A Receita Líquida de Vendas é obtida subtraindo estes impostos da Receita Bruta.
IMPOSTO DE RENDA: O Imposto de Renda incide sobre o lucro tributável. A legislação atual fixa uma alíquota de 15% sobre o lucro e um adicional de 10% sobre o lucro que exceder a R$ 200.000,00 ao ano. Deve-se considerar ainda o efeito da Contribuição Social sobre o lucro tributável, sendo que esta ainda pode ser abatida do Imposto de Renda.


Os Custos de Produção
Define-se custo total de produção como o total das despesas realizadas pela firma com a utilização da combinação mais econômica dos fatores, por meio do qual é obtida determinada quantidade de produto, ou seja, os custos de produção são aqueles que ocorrem na fabricação do produto. 

Os custos totais (CT) de produção são divididos em custos variáveis totais (CV) e custos fixos (CF) e são expressos por:

CT:  CV + CF   (1)

Os Custos Variáveis são aqueles que variam de acordo com a quantidade produzida.  Uma parcela dos custos totais que depende da produção, e por isso muda com a variação do volume de produção. Representam as despesas realizadas com os fatores de produção. Por exemplo: tempo dispendido por um médico para atender um paciente, gastos com medicamentos utilizados durante episódio de hospitalização, etc. Na contabilidade esses custos também são chamados de custos diretos.
Os principais custos variáveis de produção são os seguintes:
- Matérias Primas, Embalagens e Materiais Auxiliares
- Fretes
- Mão-de-Obra Direta
- Consumo de Energia Elétrica (no processo produtivo)
- Água Industrial
- Combustível


Os Custos Fixos correspondem à parcela dos custos totais que independe da variação na produção da empresa, ou seja eles não variam proporcionalmente à produção. São decorrentes dos gastos com os fatores fixos de produção. Na área de contabilidade, são chamados de custos indiretos. Por exemplo: aluguéis, serviços de recepção, seguros.  Os principais são os seguintes:
- Mão-de-Obra Indireta
- Manutenção
- Seguros
- Demanda de Energia Elétrica

- Despesas de Aluguel relativas à fabricação


Vendo a equação (1) parece ser muito simples mensurar custos, mas a obtenção das informações , principalmente, dos custos indiretos requer muitos cuidados e um analista mais apressado pode esquecer-se de computar custos importantes tais como: de manutenção, de depreciação,  administração. etc. Além disso, o analista devem estar atento ao fato que os custos contábil e econômico podem diferir caso o preço de mercado dos materiais tenha se alterado em relação ao preço original de compra.

O custo contábil é igual ao custo efetivo de aquisição, enquanto o custo econômico é igual ao custo corrente de reposição. O uso do custo de aquisição pode conduzir a decisões de produção incorretas.

O lucro econômico é definido como a diferença entre a receita total e o custo econômico total, que é formado pelo somatório dos custos explícitos como mão de obra, matérias-primas, suprimentos, aluguéis, juros e utilidades,acrescidos dos custos de oportunidade implícitos de tempo e capital que o proprietário-gestor investiu na empresa.

Exemplo:
Suponha que você participará de uma licitação para fornecer o sistema de bombeamento de um novo prédio e que o edital estipule que o valor máximo é de $100.000. Para elaboração da proposta, você estima que gastará R$60.000 em mão de obra e mais o custo da bomba, que a sua firma já possui em estoque. Os registros contábeis indicam que a firma comprou a bomba há seis meses por $50.000. Fazendo pesquisa de mercado, você verifique que atualmente a bomba custa R$37.500. O que fazer: aceita ou não fornecer o serviço à $100.000? O custo contábil indica prejuízo e o custo econômico indica lucro de $2.500. Esse exemplo, ilustra bem uma das divergências entre custo contábil e o custo econômico. Para tomada de decisão, o uso do custo econômico é o mais adequado. 



sexta-feira, 22 de março de 2019

Exemplo: teoria da produção

Suponha que a empresa Marajó Mining use capital (equipamentos de mineração) e mão de obra (trabalhadores) para extrair minério de urânio. Diversos tamanhos de equipamentos de mineração, avaliados de acordo com sua potência em bHP,3 estão disponíveis para a empresa. A quantidade de minério produzida durante um determinado período (Q) é função somente do número de trabalhadores designados para a equipe (L) que opera um determinado equipamento (K).

Os dados abaixo indicam a quantidade de minério produzida (medida em toneladas) quando equipes de diversos tamanhos são empregadas para operar o equipamento, bem como o produto marginal, produto médio e elasticidade da produção.

Tabela: Produto marginal

Os dados da tabela mostram que o produto marginal adicionado por trabalhador à equipe aumenta no início, e o produto total aumenta a uma taxa crescente. Na terceira coluna vemos que a adição de um segundo trabalhador à equipe resulta em 10 toneladas adicionais de produto; a adição de um terceiro trabalhador resulta em 13 toneladas adicionais de produto. Entretanto, a partir do quinto trabalhador a os ganhos de produtividade tornam-se menores. Essa queda de produto ocorre porque há um número limitado de modos de obter maior especialização do trabalho e porque cada trabalhador adicional provoca efeitos de superpopulação.

Produto médio do fator: calculado pela divisão da quantidade total produzida pela quantidade utilizada desse fator.

Produto marginal: é o volume de produção adicional gerada ao se acrescentar uma unidade do fator (capital ou trabalho)

Caso da Boeing:
A Boeing elevou a produção de 244 aeronaves entregues em 1995 para 560 em 1999, a fábrica de Everest adotou três turnos de 6000, 4000 e 1500 trabalhadores, e o dobro de peças empregadas. Apesar do aumento do número de trabalhadores, o tempo de produção dos aviões continuou em 21 dias, mas o número de horas extras aumentou devido a problemas na linha de produção, tais como substituição de peças defeituosas, causando retrabalho. Para resolver estes problemas, a Boeing iniciou o processo de terceirização da linha de montagem, dando inicio à produção enxuta (just in time). Em 2001, a empresa  entregou 527 aeronaves. Em 2003, a Boeing perdeu sua liderança no mercado e entregou somente 290 aeronaves. Em 2005, diante da concorrência da Airbus e quedas nas vendas, a Boeing lançou o 787 Dreamliner, o primeiro avião comercial feito majoritariamente de fibra de carbono e com cerca de 70% da produção terceirizada para empresas de diversos países, reduzindo assim o custo de produção. Essas alterações tecnológicas e de gestão contribuíram para a competividade da empresa, que em 2018 entregou 806 aeronaves.

O caso Boeing mostra que não é sempre que aumento de mão de obra conduz a aumento da produtividade.