terça-feira, 16 de agosto de 2016

consumo de complexos vitamínicos no Brasil

Assim como a ausência de vitaminas, o consumo em excesso delas pode acarretar problemas ao organismo. Apesar de qualquer pessoa comprar vitaminas sem a necessidade de prescrição médica,   recomendamos que o uso de complexos vitamínicos seja orientado por um médico ou nutricionista. 

Em um post anterior comentei brevemente sobre o cartel das vitaminas e que a descoberta do uso das vitaminas tem cerca de 100 anos. Nesse post comentarei sobre o mercado de vitaminas.

Quase um século depois da descoberta que a deficiência de vitaminas causa doença, segue firme o uso de vitaminas isoladas ou multi-vitamínicos, bem como a sua adição em alimentos industrializados.  Entretanto, ainda não há consenso em torno do uso de uso de multivitamínicos. Grodstein e colegas (2013) mostraram que o uso de multi-vitamínicos não melhora a capacidade cognitiva dos homens.  Contudo, Gaziano e colegas (2012) publicaram no JAMA um estudo que mostra que os multivitamínicos podem reduzir a ocorrência de câncer.  Apesar das divergências em torno de seu uso, o segmento das de vitaminas constitui um importante setor do mercado farmacêutico.

No Brasil o consumo de vitaminas ainda é baixo, em relação aos EUA, porque os preços são elevados. Enquanto, nos EUA, na rede Walgreens, por 20 dólares,  é possível adquirir 200 comprimidos de Centrum Silver; no Brasil, 30 comprimidos do mesmo produto custam cerca de R$70,00. Assim, o mercado brasileiro de vitaminas é muito menor do que o americano.

 Em 2015, no Brasil, o mercado de vitaminas movimentou R$ 2,08 bilhões, valor muito inferior ao do mercado americano onde as vendas desse segmento alcançaram a cifra de US$10,4 bilhões. O mercado das vitaminas é altamente concentrado. Em 2015,  duas companhias, Pfizer e Bayer, detinham 64,7% do mercado de complexos vitamínicos no Brasil.

O quadro abaixo apresenta o market share dos multivitamínicos comercializados no Brasil:

Quadro 1: Market Share dos Multivitamínicos comercializados no Brasil - 2010 a 2015.
Marca
Fabricante
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Centrum
Pfizer Inc
20,9
22,7
23,4
24,1
24,8
27,7
Natele
Bayer AG
10,2
2011
2012
2013
12,9
12,8
Herbalife
Herbalife Ltd
7,0
10,0
10,8
11,3
11,4
10,6
Stresstabs
Pfizer Inc
7,3
8,0
8,4
8,9
9,0
8,2
Accuvit
Aché Laboratórios Farmacêuticos SA
6,3
6,9
7,2
7,5
7,6
6,9
Vitergan
Marjan Indústria e Comércio Ltda
7,8
8,4
8,2
8,3
7,8
6,7
Supradyn
Bayer AG
5,1
5,5
5,9
6,1
6,1
5,8
Materna
Pfizer Inc
4,1
4,5
4,8
5,0
4,9
4,6
Berocca
Bayer AG
3,2
3,4
3,5
3,6
3,5
3,1
Clusivol
Pfizer Inc
3,0
3,2
3,1
3,1
3,0
2,6
Others
Others
25,0
16,3
11,8
8,9
9,2
10,9
Total
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
 Fonte: Euromonitor


Ressalta-se que no quadro 1 não estão apresentados os produtos combinados com ingredientes herbais, como o Gerovitan, campeão de vendas no Brasil. 

Em 2015, o produto que com maior market share é o Centrum. Nota-se também que a sua fatia de mercado vem aumentando gradualmente, graças a intensificação dos investimentos em mídia.  Para aumentar a sua participação no mercado, desde 2010, o fabricante da marca tem  ampliado a linha Centrum, através do lançamento de novas formulações, visando atender as necessidades de ingestão diária de vitaminas e minerais que variam de acordo com a idade, e sexo. Em 2010, foi lançado o Centrum Select para pessoas acima de 50 anos.  Em 2012, a companhia ampliou a linha lançando o Centrum Control.  No ano seguinte lançou o Centrum Homem e Mulher.  Para completar a linha, mais recentemente foi lançada uma versão com ômega 3. No mercado americano, que responde por 50% das vendas do produto, existem 16 versões desse multivitamínico. Este grande esforço de marketing direcionado a linha Centrum, polivitaminico mais vendido no mundo, deve-se ao fato que 45% da receita da Pfizer origina-se com as vendas do Advil e Centrum (Euromonitor, 2016).


Vale lembrar que os polivitamínicos não substitue,  uma alimentação saudável e o sol. 

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