Assim como a ausência de vitaminas, o consumo em excesso delas pode acarretar problemas ao organismo. Apesar de qualquer pessoa comprar vitaminas sem a necessidade de prescrição médica, recomendamos que o uso de complexos vitamínicos seja orientado por um médico ou nutricionista.
Em um post anterior comentei brevemente sobre o cartel das vitaminas e que a descoberta do uso das vitaminas tem cerca de 100 anos. Nesse post comentarei sobre o mercado de vitaminas.
Quase um século depois da descoberta que a deficiência de vitaminas causa doença, segue firme o uso de vitaminas isoladas ou multi-vitamínicos, bem como a sua adição em alimentos industrializados. Entretanto, ainda não há consenso em torno do uso de uso de multivitamínicos. Grodstein e colegas (2013) mostraram que o uso de multi-vitamínicos não melhora a capacidade cognitiva dos homens. Contudo, Gaziano e colegas (2012) publicaram no JAMA um estudo que mostra que os multivitamínicos podem reduzir a ocorrência de câncer. Apesar das divergências em torno de seu uso, o segmento das de vitaminas constitui um importante setor do mercado farmacêutico.
No Brasil o consumo de vitaminas ainda é baixo, em relação aos EUA, porque os preços são elevados. Enquanto, nos EUA, na rede Walgreens, por 20 dólares, é possível adquirir 200 comprimidos de Centrum Silver; no Brasil, 30 comprimidos do mesmo produto custam cerca de R$70,00. Assim, o mercado brasileiro de vitaminas é muito menor do que o americano.
Em 2015, no Brasil, o mercado de vitaminas movimentou R$ 2,08 bilhões, valor muito inferior ao do mercado americano onde as vendas desse segmento alcançaram a cifra de US$10,4 bilhões. O mercado das vitaminas é altamente concentrado. Em 2015, duas companhias, Pfizer e Bayer, detinham 64,7% do mercado de complexos vitamínicos no Brasil.
O quadro abaixo apresenta o market share dos multivitamínicos comercializados no Brasil:
Quadro 1: Market Share dos Multivitamínicos comercializados no Brasil - 2010 a 2015.
Marca
|
Fabricante
|
2010
|
2011
|
2012
|
2013
|
2014
|
2015
|
Centrum
|
Pfizer Inc
|
20,9
|
22,7
|
23,4
|
24,1
|
24,8
|
27,7
|
Natele
|
Bayer AG
|
10,2
|
2011
|
2012
|
2013
|
12,9
|
12,8
|
Herbalife
|
Herbalife Ltd
|
7,0
|
10,0
|
10,8
|
11,3
|
11,4
|
10,6
|
Stresstabs
|
Pfizer Inc
|
7,3
|
8,0
|
8,4
|
8,9
|
9,0
|
8,2
|
Accuvit
|
Aché Laboratórios
Farmacêuticos SA
|
6,3
|
6,9
|
7,2
|
7,5
|
7,6
|
6,9
|
Vitergan
|
Marjan Indústria
e Comércio Ltda
|
7,8
|
8,4
|
8,2
|
8,3
|
7,8
|
6,7
|
Supradyn
|
Bayer AG
|
5,1
|
5,5
|
5,9
|
6,1
|
6,1
|
5,8
|
Materna
|
Pfizer Inc
|
4,1
|
4,5
|
4,8
|
5,0
|
4,9
|
4,6
|
Berocca
|
Bayer AG
|
3,2
|
3,4
|
3,5
|
3,6
|
3,5
|
3,1
|
Clusivol
|
Pfizer Inc
|
3,0
|
3,2
|
3,1
|
3,1
|
3,0
|
2,6
|
Others
|
Others
|
25,0
|
16,3
|
11,8
|
8,9
|
9,2
|
10,9
|
Total
|
Total
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
Fonte: Euromonitor
Ressalta-se que no quadro 1 não estão apresentados os produtos combinados com ingredientes herbais, como o Gerovitan, campeão de vendas no Brasil.
Em 2015, o produto que com maior market share é o Centrum. Nota-se também que a sua fatia de mercado vem aumentando gradualmente, graças a intensificação dos investimentos em mídia. Para aumentar a sua participação no mercado, desde 2010, o fabricante da marca tem ampliado a linha Centrum, através do lançamento de novas formulações, visando atender as necessidades de ingestão diária de vitaminas e minerais que variam de acordo com a idade, e sexo. Em 2010, foi lançado o Centrum Select para pessoas acima de 50 anos. Em 2012, a companhia ampliou a linha lançando o Centrum Control. No ano seguinte lançou o Centrum Homem e Mulher. Para completar a linha, mais recentemente foi lançada uma versão com ômega 3. No mercado americano, que responde por 50% das vendas do produto, existem 16 versões desse multivitamínico. Este grande esforço de marketing direcionado a linha Centrum, polivitaminico mais vendido no mundo, deve-se ao fato que 45% da receita da Pfizer origina-se com as vendas do Advil e Centrum (Euromonitor, 2016).

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