Basileia é uma cidade
histórica da Suíça e está localizada entre as fronteiras desse país com a
Alemanha e França. Basileia é uma cidade importante no desenvolvimento na
indústria farmacêutica e quimica. A cidade também referência mundial no campo da
indústria farmacêutica e abriga sedes de diversas empresas, entre as quais
Roche, Novartis, Sygenta, Ciba
Specialty Chemicals, Clariant, Basilea Pharmaceutica e Actelion.
Basileia
tornou-se um importante local para a maior parte dos cartéis das vitaminas,
exercido principalmente pela Roche e BASF. A Hoffmann-La Roche foi a primeira companhia a sintetizar vitaminas. Em 2001, ela era o maior produtor mundial de
vitaminas, com mais de 50% deste mercado. A Roche manteve por 20 anos o monopólio das vitaminas A, E, biotina, B5, e beta caroteno. No caso da vitamina E este monopólio durou 28 anos, quando em 1967 a Eisai começou a produzi-la. A BASF ocupava o segundo lugar. É importante
frisar que até a década de 1970, essas duas empresas detinham 75% do
mercado mundial de vitaminas.
Na década de 1930 o segmento das vitaminas tornou-se importante na indústria farmacêutica, pois o seu uso foi bastante difundido pelas autoridades de saúde pública. Assim, Roche, Merck, Pfizer, e muitos outros produtores expandiram sua pesquisa em seus laboratórios e firmaram parcerias com universidades. A Fundação Rockefeller teve um importante papel no desenvolvimento da pesquisa e ciência nos Estados Unidos e apoiou pesquisas sobre vitaminas.
Para competir com os americanos, do outro lado do Atlântico, na Alemanha, surgiu o primeiro cartel no setor farmacêutico. Em 1925, ocorreu o conluio da
Bayer, BASF, Hoescht, denominado cartel IG Farben. Na primeira guerra mundial, alguns historiadores,
dizem que o primeiro ato das tropas de Hitler ao invadir os países
inimigos era roubar produtos químicos e farmacêuticas para entregá-los
gratuitamente ao cartel IG Farben. Na segunda guerra mundial este cartel
testou substâncias farmacêuticas em primeiros dos campos de concentração de
Auschwitz, Dachau, entre outros. Nas duas guerras mundiais ocorreram inúmeras terríveis experiências médicas, as quais foram repudiadas por toda a civilização.

Em 1947, o tribunal de Nuremberg condenou
24 gerentes da Bayer, BASF, Hoechst e outros executivos do cartel IG Farben por
crimes contra a humanidade: escravidão e assassinato em massa. Fritz Ter Meer,
um dos executivos julgados, foi condenado a sete de prisão por seus crimes em
Auschwitz. Após este período, em 1955, ele iniciou atividade na Bayer, sendo
que entre 1956-1964 atuou como presidente
do conselho da Bayer.
Para auferir maior
lucratividade, em 1985 surgiu o cartel das vitaminas, cujo protagonista
principal estava a Roche, que é sediada em Basileia. Este foi o maior e mais
elaborado cartel descoberto pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na
década de 1990, pois envolveu 21 produtores em 7 países (CONNOR, 2003). Este
cartel foi denunciado pela Coca-Cola, Kellogg's e empresas produtoras de
ração animal, que utilizava vitaminas em seus produtos. Uma das principais
consequências desta cartelização foi o aumento de preços, entre 16 e 80%, de 16
vitaminas.
Em maio de 1999, em
Washington, o Departamento de Justiça americano em uma conferência de impressa
divulgou o caso do cartel das vitaminas. Assim, ainda neste mesmo mês, a
Comissão Europeia abriu processo formal de investigação deste cartel. Em 2001,
após averiguação da cartelização de oito produtores de vitaminas, a
Comissão Europeia aplicou-lhes multas. A F. Hoffmann-La Roche AG (Switzerland) recebeu a
maior multa, 462 milhões de euros. Países como Estados Unidos, Canadá,
Austrália e Inglaterra também buscaram compensação financeira e aplicação de
punição às empresas participantes do conluio. No Brasil, em 2008, este cartel
também foi condenado pelo CADE, sendo que as multas impostas tiveram como base o percentual entre
15 e 20% do seu faturamento com vitaminas. O CADE verificou que as empresas
envolvidas reuniam-se em São Paulo para combinar preços.
Este cartel foi o mais
famoso e mais severamente punido no mundo na esfera da defesa da concorrência.
Este cartel é o um belo exemplo que pode ser utilizado para discussões sobre
oligopólio, lei de defesa da concorrência, cartelização na indústria
farmacêutica.
HISTÓRIA DAS VITAMINAS
No final do século XIX
vendedores de vitaminas começar a extrair de plantas e animais as vitaminas de
seu interesse. Entretanto, o maior crescimento da indústria das vitaminas
ocorreu nas decadas de 1930 e 1940 quando as técnicas de sintese quimica
começaram a ser aplicadas na produção em grande escala.
Desde 1520 a.C,
os médicos acreditam que alguns alimentos, como bife de fígado e óleo de fígado,
continham propriedades "vitaminas" especiais que contribuíam para a
cura de doença. Hipócrates, o pai da
Medicina, já observava que a dieta com fígado de boi ajudava na cura da
cegueira noturna.
Em 1742, os marinheiros da frota inglesa ingeriam
regularmente suco de limão para prevenir o escorbuto. Em 1861 um experimento
demonstrou a eficácia do óleo de fígado de bacalhau na deficiência de
retinol e este se tornou-se um suplemento alimentar comum na dieta de europeus e americanos.
Em 1897, Christiaan Eijkman, um médico holandês, demonstrou que o Beribéri é causado por carência alimentar. Em 1906, o
bioquímico inglês Frederick Gowland Hopkins demonstrou a existência desses
fatores nos alimentos. Em 1911, o químico polonês Casimir Funk
descobriu na casca do arroz um "fator anti-beriberi" , atualmente conhecido como vitamina B6 ou niacina, que era capaz de corrigir a doença
experimentalmente em animais e seres humanos. Como a substância era uma amina,
Funk a denominou de "vital amin" (ou amina vital), que acabou sendo
abreviada para "vitamina", e que é o nome que acabou vingando para
essa classe de substâncias (apesar de que se descobriu depois que a maioria
delas não são aminas). Em 1912, Hopinks e Funk propuseram a teoria da
deficiência de vitaminas, que postulava que uma quantidade minima de vitaminas
deve ser ingerida para nos mantermos saudáveis. Em 1929, Eijkman e Hoppinks ganharam Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta das vitaminas.
No período
de 1920 a 1940, ocorreu a retomada desses estudos, de maneira incrementada,
possibilitou a identificação da causa de diversas doenças e descoberta de novos
fatores tais como: a distinção entre as vitaminas A e D, a descoberta do ácido
ascórbico, da biotina, da vitamina K, do ácido fólico, o isolamento da vitamina
E, da vitamina B12 e a constatação que, sob a denominação genérica de vitamina
B, estavam agrupados diversos fatores vitamínicos de estrutura e funções
diferentes que compunham o chamado “Complexo B”. Entre 1929 e 1934 foi
demonstrada a eficácia dos betacarotenos e vitamina A são importantes para a
saúde ocular. Ao longo das três décadas seguintes, foram identificadas mais de
20 vitaminas, as quais foram designadas por
letras ou pela combinação de letras e números (Exemplo: B12).
À medida
que as vitaminas eram descobertas os cientistas começaram a defender que o
fortalecimento de alimentos com vitaminas seria uma medida de saúde pública.
Assim, em 1933 a margarina e outros produtos de uso diário passaram a receber
doses de vitamina D. Com a descoberta que o beribéri pode ser curado com a suplementação de vitamina B1 (tiamina), em 1939, foi dado início ao enriquecimento de pães e massa com esta vitamina. Desde modo, muitos outros alimentos de uso humano e animal começaram
a ser fortificados com vitaminas.
Nos dias atuais vitaminas são adicionadas a uma infinidade de alimentos que
consumimos. (Para ver conhecer um pouco mais sobre o enriquecimento de farinhas sugiro que você assista a série Cooked do Netflix, capítulo 3(ar)
Nestes 82 anos desde a sua primeira comercialização em 1934, pela Merck, o preço da vitamina B1 caiu drasticamente. Na época de seu lançamento, a vit. B1 era comercializada ao preço de 300.000 dólares por quilo. Com a maior utilização e produção em larga escala, o seu preço caiu para $1.750/quilo. Na década de 1970, o seu preço passou para $30/quilo. Nos dias atuais (maio/2016) é possível encontrar, na China, fornecedores de vit B1 que a comercializam por menos de US$5/quilo.