quarta-feira, 10 de abril de 2019

Nível Geral de Preços: inflação, deflação, estagflação, recessão

em elaboração: 
O preço, em qualquer mercado, é uma consequência das reações dos ofertantes e dos demandantes. No campo da macroeconomia, os demandantes são: consumidores, investidores, firmas, governo, setor externo. Já os ofertantes são: o mercado nacional (firmas e governo) e o externo (importação). Agora, os modelos de demanda-oferta referem-se às variáveis em termos agregados e não mais do consumidor/firma, como na microeconomia.

Há, pelo menos, quatro importantes mercados agregados, que determinam importantes preços macroeconômicos: 

1 - o nível geral de preços 
2 - a taxa de juros 
 3 - o salário 
 4 - a taxa de câmbio 


 Estes quatro mercados se relacionam entre si, pois há uma relação estreita entre inflação, juros, salários, e câmbio. Isto quer dizer que, se houver desequilíbrio em um destes mercados, pelo menos algum outro estará em desequilíbrio, podendo no limite, estarem todos desequilibrados. Neste post, falaremos sobre o nível de preços, inflação, recessão, estagflação. 


  1 - Nível geral de preços 
Países que tiveram grande flutuação dos níveis de preços, tais como o Brasil, adotaram politicas econômicas com o objetivo de estabilizar o comportamento do nível geral de preços, como forma de promover um crescimento contínuo e sustentável e com justa distribuição de renda. Há dois tipos de flutuações do nível de preços: inflação e deflação. 

A inflação é a situação onde ocorre uma variação de preços positiva, contínua e generalizada no nível de preços. Quando essa variação é negativa, persistente e generalizada temos a deflação. Os casos de deflação são raros e geram taxas modestas, da ordem de até -3% a.a. Na história recente, o caso mais conhecido de deflação persistente ocorreu no Japão. Em momentos de deflação, é comum governos adotarem taxa de juros negativa para desestimular a poupança e incentivar o consumo. 

O grande descontrole da inflação, caracterizado pela elevação vertiginosa dos preços,  denomina-se hiperinflação. Vale ressaltar que não há um número específico a partir do qual se diz haver hiperinflação. Um caso bastante conhecido de descontrole inflacionário ocorreu na Alemanha. A hiperinflação da Alemanha ocorreu entre 1914 e 1923. Em outubro de 1923 o aumento de preços chegou ao ápice, atingindo a taxa de 29,5 mil por cento ao mês, ou 20,9% ao dia. Com a rápida deterioração do poder aquisitivo, houve uma maciça fuga de capital da Alemanha, e poupadores passaram a investir em contas bancárias no exterior, bem como em moedas e papéis estrangeiros. Nos dias atuais, a Venezuela vem enfrentando altas taxas de inflação (estimativa de 10.000.00% ao ano), o que contribui para o desabastecimento, altas taxas de desemprego e caos político. 

Em geral, a hiperinflação ocorre quando os governos não conseguem financiar seus gastos através de impostos ou de empréstimos, e, por isso, precisam imprimir dinheiro a um ritmo cada vez maior. No Brasil, entre 1982 e 1996, os bancos estaduais imprimiam dinheiro e emitiam títulos e debêntures dos tesouros estaduais, faziam operações de antecipação de receita orçamentária  para financiar gastos dos governos estaduais. Essa conduta estaduais dificultavam que políticas de estabilização macroeconômicas elaboradas pelo governo federal tivessem êxito. No final de 1994, nos primeiros meses do Plano Real, diante da insolvência de  vários bancos estaduais, o Banco Central deu início ao processo de privatização e fez intervenção no BANESPA e BANERJ.

 Em geral, há duas macrocausas que culminam na inflação. A primeira ocorre quando a demanda agregada está muito ativa, crescendo a uma taxa superior à da oferta agregada. Com isso, os preços sobem. É o que chamamos de inflação de demanda, Quando se observa uma taxa taxa de desemprego, a inflação tende a ser associada a essa causa. Outra macrocausa ocorre quando a oferta agregada é reduzida. Esta variação positiva de preços chama-se inflação de custos. Neste caso, por algum choque exógeno (ex:greve dos caminhoneiros), o custo de certos fatores de produção aumenta (ex: gasolina, diesel), levando a uma contração por parte das firmas do uso destes insumos, o que consequentemente, conduz a uma diminuição da oferta de bens e serviços e a um aumento do seu preço. 


Recessão: ocorre quando há uma queda na produção e elevação do desemprego, por um período de tempo relativamente longo, podendo ou não estar conjugada com inflação. 

O gráfico abaixo exibe a evolução da taxa de crescimento do PIB do Brasil entre 1996 e 2018.  O período entre 2014 e 2016 foi marcado por forte retração da taxa de crescimento do PIB e elevação da taxa de desemprego. 


 PIB a preços de mercado = ∑ VABI + (Impostos - Subsídios)
∑ VABI = Soma do VAB de cada uma das empresas da economia


Em geral, a recessão vem acompanhada da diminuição no emprego, na renda familiar, na produção industrial, nos lucros das empresas. Considera-se que uma economia está em recessão quando o seu produto se retrai por dois trimestres consecutivos. Outra regra informal, é que na recessão a taxa de desemprego cresce 150 pontos-base em 12 meses ( isto é, passasse, por exemplo, de 5% para 6,5% .  Um ponto base corresponde a 0,01 pontos percentuais. Suponha que a taxa de desemprego seja de 10%, uma subida de 10/25/50/100/200 pontos bases  esta passaria para 10,1%, 10,25%, 10,5%, 11%, 12%. Assim, considerando que a taxa de desemprego passou de 6,5% para 12,6% podemos afirmar que o Brasil enfrentou uma recessão. 

Estagflação: esta terminologia foi cunhada nos anos de 1970 por Milton Friedman, durante a crise econômica que assolou o mundo, devido à elevação do preço do petróleo e de outras commodities. Na estagflação ocorrem, concomitantemente, recessão e inflação. O Brasil enfrentou vários períodos de estagflação, sendo o mais longo ocorrido entre 1982 e 1984, após a alta dos preços do petróleo e a crise da dívida externa. No Brasil, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016, um período de recessão, ocorreu inflação de 10,7%. Assim, alguns economistas consideram que  neste período, novamente, ocorreu estagflação no Brasil. 


As causas de inflação: 

Inflação de demanda refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços.A probabilidade de ocorrer inflação de demanda aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos.

O mercado imobiliário brasileiro, em especial da nossa Rio Grande, experimentou a inflação de demanda, pois com a expansão de crédito e aumento do número de postos de trabalhos a procura por imoveis cresceu além da oferta. Entretanto, atualmente, com a mudança da conjuntura econômica, os preços dos imóveis residenciais estão em queda. Em 2018, o preço do metro quadrado sofreu redução em muitas cidades, por exemplo Rio de Janeiro (-,359%). Fortaleza (-2,25%) , Porto Alegre (-1,16%). Já no período entre 2014 e 2017, o preço de venda de imóveis residenciais caiu 17%.

Inflação de custos:  blalalalvbalalsldsd

Inflação inercial: blalbalbalad




Regime de Metas de Inflação no Brasil 
O regime de metas de inflação foi adotada pela primeira vez na Nova Zelândia, em 1990, e hoje está estabelecido em 32 países, É uma politica monetária adotada por governos que buscam controlar a inflação e manter a estabilidade de preços. De modo geral, o regime de metas funciona da seguinte forma: o banco central anuncia de forma pública e antecipada uma meta numérica que pretende perseguir. 
No Brasil, este modelo foi adotado em 1999 e o índice oficial de inflação escolhido pelo governo foi o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) .
Nos posts seguintes veremos que o nível de preços está relacionado com taxa de juros, salários e taxa de câmbio e que é para buscar promover o equilíbrio, governos, em geral, adotam medidas para promover o emprego, obter a distribuição de renda socialmente justa, manter estabilidade de preços e promover crescimento econômico. Assim, são utilizados vários instrumentos de política macroeconômica, tais como as políticas fiscal, monetária, comercial e de rendas.